A líder e porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, criticou a decisão da justiça portuguesa de enviar para Angola o processo de Manuel Vicente, o ex-Presidente daquele país suspeito de corromper o procurador português Orlando Figueira. A bloquista diz que a decisão é “perturbadora” e lança críticas implícitas ao Governo.

“A decisão de envio de parte do processo para Angola é perturbadora. As expressões de felicidade com a decisão ainda mais”, escreveu Catarina Martins no Twitter.

As declarações de Catarina Martins surgem depois o primeiro-ministro, António Costa, ter dito que a decisão demonstra “que vale a pena confiar no regular funcionamento das instituições judiciais para assesgurar a boa aplicação da lei”. Além disso, o primeiro-ministro acrescentou que ficava “feliz” por o “único ‘irritante’ que existia nas relações entre Portugal desapareça”.

Costa afirma-se feliz por ter desaparecido o “irritante” nas relações com Angola

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, também saudou este desfecho, utilizando também a expressão de António Costa. “Esta decisão, encerrando um ‘irritante’, permite que a relação em Portugal e Angola passe para o nível mais alto possível do relacionamento”, disse à Lusa. “Tem um efeito muito positivo na política externa”, acrescentou o chefe da diplomacia portuguesa.

Quem é o juiz que mandou o caso de Manuel Vicente para Angola?

Ainda antes da confirmação da transferência de parte do processo da Operação Fizz para Angola, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, falou favoravelmente sobre essa possibilidade. “Se for assim, se quem tem poder de decidir, decide isso, isso significa que há uma transferência e, havendo transferência, se for esse o caso, desaparece o ‘irritante’, como aliás chamou o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros, que é aquele pequeno ponto que existia, embora menor, mas existia, a ser invocado periodicamente nas relações entre Portugal e Angola”, disse o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa terá inclusive falado ao telefone com o seu homólogo angolano, João Lourenço, segundo este avança na sua conta de Twitter. “Felicitámo-nos pelo feliz desfecho do caso e reiterámos a vontade de seguir em frente com a cooperação entre os nossos dos países”, escreveu o chefe de Estado angolano.

Na sequência desta decisão judicial, os líderes políticos dos dois países deram sinais claros de uma reaproximação diplomática. Esta segunda-feira, o ministro da Defesa português, Azeredo Lopes, vai fazer uma visita oficial a Angola.