FC Porto

Havia um recorde para bater. E bateu-se (a crónica do V. Guimarães-FC Porto)

Foi um daqueles encontros de que ninguém se recordará. Fraco. Afinal, estava tudo resolvido e o campeão tinha já a cabeça nos Aliados. Mas ainda houve tempo para Conceição superar Mourinho.

MIGUEL RIOPA/AFP/Getty Images

Há um episódio de Seinfeld em que Jerry resolve ir visitar, com Elaine, os pais na Florida. Perante o desconforto de Elaine face à ausência de ar condicionado no quarto, Jerry explica-lhe, enquanto esta sua em bica, que aquele dia (sexta-feira) estava já no fim, faltava sábado, e domingo estariam de regresso a casa. “It’s one day, really…”

Às vezes é preciso encarar o tempo desta forma. Esta tarde foi.

V. GUIMARÃES-FC PORTO (0-1)

Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães

Primeira Liga NOS 2017/2018 (Jornada 34)

Árbitro: João Capela (AF Lisboa)

V. Guimarães: Miguel; Sacko, Jubal, João Afonso, Konan; Wakaso, Rafael Miranda, Mattheus Oliveira (Óscar Estupiñan, 80′); Raphinha (Sturgeon, 74′), Héldon e Rafael Martins

Suplentes não utilizados: Douglas, Francisco Ramos, João Aurélio, Dénis e Tallo

Treinador: José Peseiro

FC Porto: Vaná (Fabiano, 79′); Maxi Pereira, Felipe, Marcano, Alex Telles; Herrera, Óliver Torres; Corona (André André, 73′), Brahimi, Marega e Gonçalo Paciência (Soares, 53’)

Suplentes não utilizados: Hernâni, Aboubakar, Ricardo Pereira e Sérgio Oliveira

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Marcano (69′)

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Jubal (92′)

Hora e meia de jogo, mais o intervalo, mais o tempo extra: se começar às quatro, lá para as seis acaba, portanto é como se nem tivesse começado. É melhor encarar desta forma. Porque foi tão penoso de assistir como penoso é dormir num quarto-sauna da Florida. Mas entende-se que tenha sido assim: os portistas são já campeões, o Vitória não subiria nem desceria do meio da tabela onde está, e pouco havia para disputar. Pouco, sim, mas havia.

Vencendo, o Porto bateria o seu recorde de pontos — que é como quem diz, os 86 de José Mourinho em 2002/2003. Mais: igualaria a pontuação (88) alcançada pelo Benfica em 2015/2016, pontuação máxima na liga portuguesa. Havia um recorde para bater. E bateu-se.

Antes, vamos às ocasiões (“ocasiões”, vá…) da primeira parte em Guimarães. Há duas. Primeiro, ao minuto 15, Raphinha, com um passe de primeira, isola Rafael Martins, o brasileiro ganha a frente a Felipe e, quando Vaná saiu da baliza, remata cruzado. Errou o alvo por pouco. Depois, três minutos volvidos, Brahimi tenta furar mas não consegue, a bola sobra para Gonçalo Paciência e este, à entrada da área, não é de “furos” e só chuta. Logo dali. Miguel Silva encaixa.

Ainda houve remates fracos de Marega, Óliver e Wakaso, mas é só fumaça e não há muito para contar.

“It’s one day, really…”

A segunda parte recomeçou e a toada, para mal dos pecados de quem via, mantinha-se: era “mastigada”. Houve um remate de Maxi, ao minuto 52, um remate cruzado que o guarda-redes do Vitória deixa escapar e quase deu num valente “frango”. Não deu.

O golo chegaria ao minuto 69. Livre à esquerda, bateu-a a canhota de Telles, o cruzamento é recuado e é recuado que Marcano cabeceia, fazendo o primeiro da tarde. Primeiro e último. Na primeira e última ocasião de perigo que há para escrever na crónica.

Parecendo que não, as duas horinhas até passaram depressa. Ufffff…

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