A política espanhola está a ter uma alteração histórica. Os dois partidos que governam o país, de forma alternada, desde 1982 atravessam o pior momento dos últimos 35 anos e, pela primeira vez, foram ambos ultrapassados por partidos que emergiram com a crise: o Ciudadanos e o Podemos. Segundo o barómetro de maio da Metroscopia, publicado este domingo no El País, se neste momento houvesse eleições legislativas em Espanha, o Ciudadanos, liderado por Albert Rivera, seria o mais votado com 29,1% dos votos, mas seguido do Unidos Podemos, com 19,8%. O PP, que está no Governo, ficaria próximo do Podemos, com 19,5%, mas em terceiro. A mesma sondagem aponta que o PSOE ficaria em último com 19% dos votos.

Os resultados da sondagem da Metroscopia realizada para o El País, realizada entre 7 e 9 de maio mantém a tendência da desde o outono: os partidos tradicionais descem, os novos partidos crescem. O tradicional bipartidarismo espanhol (similar a Portugal em que PS e PSD governam à vez desde 1976) está a ser colocada em causa pela solidez destes dois novos partidos e correm o risco de se tornarem atores secundários na política espanhola.

Com este resultado, o Ciudadanos podia chegar aos 110 lugares no Parlamento e estar em condições de formar Governo. Na última sondagem, realizada no outono, o partido de Rivera está na frente nas sondagens dos últimos cinco meses. A grande novidade do barómetro de maio é o Unidos Podemos, de Pablo Iglesias, ter passado para segundo lugar, com uma subida de 1,5 pontos percentuais. Ainda assim, com 19,8%, o Podemos está ainda abaixo dos 21,1% alcançados nas legislativas de 2016.

O Ciudadanos e o Podemos, juntos, representam quase metade do eleitorado (48,9%), enquanto que os dois maiores partidos espanhóis, PP e PSOE, têm apenas 38,5% das intenções de voto juntos. Há apenas dois anos, nas eleições de junho de 2016, há dois anos, os partidos “anti-sistema” tinha, 34,2%, enquanto os tradicionais mantinham os 55,7% dos votos.

A mesma sondagem mostra que a maioria dos espanhóis (55%) preferia que houvesse novas eleições o mais rápido possível, enquanto 40% tem a opinião contrária. O barómetro aponta que 86% dos espanhóis consideram que Mariano Rajoy já não tem mais condições para continuar como primeiro-ministro (incluindo 63% dos que se dizem votantes do partido do primeiro-ministro, o PP).