Vivem-se tempos de mudança para os lados da Toyota. E, ao que parece, para melhor, como antecipou o presidente da Calty Design Research, a empresa responsável pela actualização da estética da Toyota e que, inclusive, assinou as linhas de propostas mais modernas como o SUV compacto C-HR, o concept FT-1, que antecipa o novo Supra, e o Lexus LC. Em declarações à GoAuto, Kevin Hunter não só admitiu que o design da marca nipónica era aborrecido, como explicou a razão pela qual os modelos da Toyota pareciam velhos quando eram novos. Ultrapassados, antes mesmo de chegarem ao mercado.

Segundo o especialista em design, isso acontecia essencialmente por duas razões. Primeiro, porque como casa grande que é, a Toyota procurava compatibilizar uma série de opiniões. Sucede que, na ânsia de agradar a todos, acabava por agradar pouco, na medida em que dessa harmonização de vontades resultavam modelos com uma imagem mediana, pouco impactante. Segundo, porque a filosofia da marca passou sempre por oferecer produtos fiáveis. Ora, se por um lado isso é bom, pois a marca japonesa tem presença habitual no topo de rankings de fiabilidade e de confiança dos consumidores; por outro lado, isso relegava a estética para um segundo plano, com o design a fazer as devidas concessões, no interesse da engenharia e da mecânica.

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A boa notícia é que isso vai acabar, também por dois motivos. O mais importante é que a ordem vem de cima: o próprio presidente da Toyota quer que os novos modelos da marca sejam uma lufada de ar fresco, em vez do bafio do passado. A directiva partiu do próprio Akio Toyoda, que defende uma importância crescente da opinião dos designers no processo de decisão de como deverá ser a estética final dos carros.

A plataforma TNGA

A segunda razão que permitirá seguir por um caminho estilístico mais audacioso é estrutural. Neste ponto, a adopção da nova plataforma Toyota New Global Architecture (TNGA), introduzida pela primeira vez em 2015, na quarta geração do Prius, faz maravilhas quer à eficácia no comportamento, quer ao estilo. “O baixo centro de gravidade, um chassi mais rígido, a nova suspensão e um maior recurso a aços de alta resistência proporcionam um melhor comportamento e uma condução mais entusiasmante”, defende Kevin Hunter, acrescentando que as vantagens não se ficam por aí: “A TNGA também oferece maior liberdade ao design do veículo, permitindo que os tejadilhos e os capots do motor sejam mais baixos, do que resultam modelos visualmente mais distintos e apelativos.”