Sporting

A outra grande dúvida da Taça: onde se vai sentar Bruno de Carvalho?

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Se for para a Tribuna, não terá nem Marcelo nem Ferro a seu lado. No banco, os jogadores não o querem ver. Nas bancadas corre o risco de ser expulso pelos adeptos, descontentes com a sua gestão.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Depois de os jogadores do Sporting confirmarem que vão disputar a final da Taça de Portugal este domingo, apesar de não estarem “nas melhores condições psicológicas” após as agressões sofridas em Alcochete, resta uma grande dúvida. Bruno de Carvalho vai ao jogo? E onde se vai sentar?

Na última crise do Sporting, depois de ter criticado os jogadores pelo jogo da Liga Europa com o Atlético de Madrid, Bruno de Carvalho foi para o banco no jogo com o Paços de Ferreira. Acabou assobiado pelos adeptos, a ver lenços brancos das bancada, e a ficar isolado no banco enquanto todos os jogadores comemoravam os golos no relvado e abraçavam Jorge Jesus junto à linha.

Agora a situação é mais complicada. Depois da reunião com o Sindicato dos Jogadores, a decisão de não faltar à final com o Desportivo das Aves — que chegou a ser equacionada — foi tomada por unanimidade pela equipa mas com algumas condições. E tudo se pode precipitar (para o pior) depois desse jogo, uma vez que as rescisões continuam a ser uma possibilidade.

Pelo meio, Bruno de Carvalho ficou sob pressão não só desportiva, como também política.

Na Tribuna?

Uma coisa parece certa. Se Bruno de Carvalho decidir assistir à final da Taça na Tribuna Presidencial do Jamor, o mais certo é que não tenha políticos a seu lado. O Presidente da República, que tradicionalmente entrega o troféu à equipa vencedora, já admitiu que pode quebrar a tradição e não assistir ao jogo. Marcelo foi muito crítico: “Ontem tive o sentimento de alguém que se sente vexado pela imagem projetada por Portugal no mundo. Vexado pela gravidade do que aconteceu. E as reações que tive de fora, infelizmente, foram nesse sentido”, disse Marcelo sobre as agressões em Alcochete. Por isso, questionado pela Lusa, em Leiria, sobre se ia ao Jamor, Marcelo respondeu: “Para já não quero dizer mais nada”. Vários jornais deram depois conta que o Presidente se sente incomodado com a hipótese de estar sentado ao lado do homem que está no centro do escândalo e a quem muitos estão a atribuir a responsabilidade moral por tudo o que aconteceu.

[Veja no vídeo as críticas que incomodaram Bruno de Carvalho]

Mas não é só Marcelo. Ferro Rodrigues, o presidente da Assembleia da República, segunda figura da hierarquia do País, também dificilmente irá ao Jamor, apesar de essa ser também uma tradição e de Ferro não só ser um adepto conhecido do Sporting, como também ex-membro do Conselho Leonino. Ferro foi muito duro em relação a Bruno de Carvalho (“Não pode ficar impune quem deu passos decisivos para que esta situação gravíssima tivesse acontecido”) e admitiu inclusivé que o jogo fosse disputado à porta fechada ou em Vila das Aves. E há ainda António Costa, embora não seja habitual os primeiros-ministros irem ao Jamor. Ou o ministro da Educação (que tem a tutela do Desporto). Todos eles muito críticos do episódio de violência em Alcochete e que seguramente terão ‘falta’ à final da segunda prova mais importante do futebol nacional.

Restam assim os presidente da Federação e da Liga.

No banco?

É praticamente impensável. Nem uma reviravolta semelhante à que aconteceu depois da polémica pós jogo com o Atlético de Madrid fará desta vez Bruno de Carvalho receber o ‘perdão’ dos jogadores. Se o presidente insistir em ir para junto dos jogadores, há uma grande probabilidade desses jogadores tomarem uma posição de força e não se sentarem ao seu lado… ou até entrarem em campo. É que a hipótese de não irem a jogo foi mesmo colocada…

Na bancada?

Bruno de Carvalho pode ter a tentação de medir a sua popularidade junto dos adeptos. Mas depois dos assobios que ouviu e dos lenços brancos que viu no jogo frente ao Paços de Ferreira (o tal depois da polémica dos “meninos mimados” e outras críticas aos jogadores pela exibição em Madrid) em Alvalade, onde acabou por sair do banco curvado por uma alegada dor nas costas, é muito pouco provável que opte por correr esse risco. Não só agora há muito mais adeptos agora a contestar a sua gestão e a forma como reagiu às agressões em Alcochete, como não faltam personalidades a pedir que se demita. Os apoios parecem cada vez ser menos e fazer um referendo nesta altura pode correr mesmo muito mal. Até porque não se sabe o que os jogadores podem fazer no relvado: a vitória em nome do clube é uma coisa, uma vitória para presidente exibir como sua é outra…

Junto às claques?

É do conhecimento geral que Bruno de Carvalho tem uma relação especial com as claques. Sobretudo com a Juventude Leonina. Mas ir ver este jogo ao lado dos adeptos que são apontados como os responsáveis pelas agressões brutais aos jogadores, treinadores e funcionários do Sporting seria o assumir de que estava a seu lado. Que os apoiava. Pelo que tal jamais irá acontecer (mesmo falando de Bruno de Carvalho).

Em casa?

Era uma hipótese. Já o fez depois da crise parte I. Mas dificilmente o fará agora, quando o Sporting tem a hipótese de conseguir um título.

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