SIRESP

Motorola sobre SIRESP: “Estas redes de comunicação duram muito tempo, mas não duram para sempre”

Falámos com a Motorola, na convenção de comunicações críticas, sobre o papel no SIRESP e as novas câmaras de vigilância com inteligência artificial que encontram pessoas pela cor da camisola.

O CCW é uma convenção em que são apresentadas novas tecnologias de comunicação para cenários de crise/socorro

Getty Images

Terramotos, tufões, cheias ou incêndios florestais. Todos são cenários em que é crucial manter uma rede de comunicações. O último, relativo aos fogos, ainda é bastante presente para Portugal: em 2017, morreram 114 pessoas. Na sequência de um ano catastrófico, cinco siglas de uma parceria de empresas passaram a fazer parte do vocabulário dos portugueses: SIRESP (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal). Na vigésima edição do CCW [Critical Communications World], um evento anual em Berlim de tecnologias de rede para comunicações críticas, falámos com a Motorola sobre o papel que tem no consórcio e as novas câmaras de vigilância com inteligência artificial que fazem lembrar um livro de Orwell.

Não posso falar em nome do SIRESP [consórcio], mas posso falar em nome da Motorola. Temos boas relações com o Governo português e queremos continuar a ter boas relações com o governo português”, respondeu Phil Jefferson, vice-presidente da Motorola Solutions para a Europa, Médio Oriente e África, ao Observador.

Em setembro de 2017, a Motorola, que detém 14,9% da sociedade do SIRESP, tinha afirmado que a sua tecnologia tinha funcionado. Isto depois de Carlos Margalhães, presidente da Câmara Municipal de Alijó, ter denunciado ao Público que o SIRESP não funcionou corretamente nos incêndios em junho e a Proteção Civil ter confirmado “falhas pontuais” ao mesmo meio. Ricardo Gonzalez, disse que as atuais tecnologias funcionam e está “satisfeito” com elas, mas afirmou que o tempo de atualização dos equipamentos está a chegar.

Este tipo de redes de comunicação duram muito tempo, mas não duram para sempre. Normalmente, um cliente, passado 10/12 anos, volta a mudar o sistema. Isto porque a tecnologia evolui bastante. Desenvolvemos novas tecnologias TETRA [sistema de comunicação rádio para situações de emergência e socorro]. A maior parte dos países europeus está a modernizar”, explicou Ricardo Gonzalez.

O executivo afirma estar “satisfeito com a tecnologia”, mas afirma que não há sistemas infalíveis. Quanto aos erros registados no sistema, Phil Jefferson disse que “a Portugal Telecom [agora Altice] é a principal acionista do Siresp e foi responsável pelo design de toda a rede de comunicações” (algo que o primeiro-Mmnistro afirmou também, em agosto).

Quanto às novas tecnologias, marcas como a Motorola, a Huawei, a Nokia e a Hytera, entre outras, aproveitaram o CCW para divulgar os novos produtos que poderão ser utilizados pelos “heróis do dia-a-dia, como médicos, bombeiros e polícias”, explicou Phil Jefferson.

A Motorola inseriu, este ano, no seu portefólio produtos como smartphones que comunicam, através dos walkie-talkies, com a rede de emergência para “trabalhar na conectividade destes dois mundos”. Além disso, várias marcas mostraram ainda drones para ajudaram em cenários de socorro. Estes produtos são direcionados para os Estados e empresas (não estão à venda para o mercado tradicional).

O Big Brother está a olhar… Com inteligência artificial

Câmaras com reconhecimento de imagem por inteligência artificial, que encontram uma pessoa com base na cor da roupa ou género, e mapas que mostram onde vai acontecer o próximo acidente rodoviário. Parece um cenário futurista, mas já está a acontecer. Uma das grandes novidades no CCW foi o mote que tem acompanhado a indústria tecnológica nos últimos tempos: computadores que pensam e fazem o trabalho de humanos.

Há cada vez mais dados disponíveis atualmente. A certa altura, há dados a mais [que possam ser analisados em tempo útil por humanos]. Por isso é que o investimento atual é em tecnologia que consiga analisar toda a informação”, explicou Ricardo Gonzalez quanto ao investimento da Motorola em ferramentas de inteligência artificial.

Para o executivo, a tecnologia, para já, ainda é só “inteligência”, estando em desenvolvimento para se poder chamar de uma “verdadeira inteligência artificial”. Numa demonstração dos novos produtos, a empresa mostrou como a ferramenta de vigilância da Avigilon encontra uma pessoa num centro comercial, inserindo, no sistema, dados como: “quero encontrar uma pessoa loira, do sexo masculino, com camisola castanha às riscas.” Graças à análise de dados em tempo real, conseguiu rapidamente identificar o alvo que melhor correspondia às características.

Além desta demonstração, a empresa mostrou como, através da análise de dados de fluxo de tráfego e acidentes na cidade de Chicago, algoritmos de inteligência artificial conseguem prever onde o próximo acidente de segurança ou até crime vai acontecer (sim, quase como que o filme Relatório Minoritário). Não é ainda 100% fiável, mas a empresa já disponibiliza este serviço a forças de autoridades em várias cidades e tem conseguido tempos mais rápidos de intervenção.

Quanto aos riscos que este tipo de tecnologia tem na privacidade dos cidadãos, Phil Jefferson é muito direto a responder: “Isso é para a lei de cada Estado e cada instituto público definir ao utilizar estas tecnologias”.  A palavra que utilizam para contrabalançar a questão da privacidade é “segurança”. No entanto, Ricardo Gonzalez referiu que medidas como o novo regulamento europeu para a proteção de dados são o caminho para impedir os abusos na vida dos cidadãos por parte do Estado.

Num evento focado em ferramentas para garantir que as autoridades têm acesso a informação e conseguem comunicar entre si, em cenários de emergência e segurança pública, mostraram-se ainda ferramentas de realidade aumentada aplicada a novos drones (para identificarem alvos a precisar de socorro) e até assistentes virtuais para polícias. “Os walkie-talkies que pensamos, os dos anos 1980, evoluíram bastante em relação ao que temos agora em 2018″, explicaram.

*O Observador esteve no CCW, em Berlim, a convite da Motorola Solutions

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