Timor-Leste

Líder da Fretilin diz que partido ainda está a realizar investigação sobre voto

O líder da Fretilin, no Governo, afirmou esta quinta-feira que continuam a decorrer investigações a supostas irregularidades durante as legislativas de sábado, em que o partido foi derrotado.

ANTONIO DASIPARU/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O líder da Fretilin, no Governo, afirmou esta quinta-feira que continuam a decorrer investigações, centradas no enclave de Oecusse, a supostas irregularidades durante as legislativas de sábado, em que o partido foi derrotado.

“Quando está a decorrer a investigação ninguém fala sobre ela. E eu não vou falar sobre isso. Não falo sobre isso porque deixo os investigadores fazerem o seu trabalho”, afirmou Mari Alkatiri, secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), em declarações aos jornalistas.

Questionado pela Lusa sobre se as investigações se centravam no enclave de Oecusse, Alkatiri confirmou “não ser só nesse” caso, mas que as atenções se “concentram fundamentalmente” naquele local.

De acordo com os resultados provisórios, a coligação da oposição Aliança de Mudança para o Progresso (AMP) bateu a Fretilin de Mari Alkatiri na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA), por uma diferença de mais de 11.600 votos.

Apesar de líderes da Fretilin continuarem a gerir a região, o partido obteve 10.800 votos contra mais de 22.400 para a AMP. Oecusse foi a única região, a nível nacional, onde os votos da Fretilin caíram relativamente ao escrutínio de julho de 2017, tendo subido em todos os outros municípios e na diáspora.

A derrota levou Arsénio Bano – que ficou a assumir o cargo de presidente interino da RAEOA em substituição de Mari Alkatiri, quando este assumiu o cargo de primeiro-ministro em 2017 – a fazer um pedido de desculpa público na rede social Facebook.

Alkatiri, que falava depois da reunião semanal com o Presidente timorense, Francisco Guterres Lu-Olo, confirmou ainda não ter contactado o líder da AMP, Xanana Gusmão, insistindo que a Fretilin continua a ser o maior partido timorense. “Quando ganhei, em julho, ele também não me telefonou. Até desapareceu. Mas um dia vamo-nos encontrar. Tenho a certeza absoluta”, disse.

“A Fretilin não foi derrotada, continua a ser o maior partido do pais”, acrescentou.

Em termos gerais, o escrutínio a nível municipal, concluído no sábado, confirmou que a AMP venceu as eleições legislativas com mais de 305 mil votos, ou 49,56% do total, o que lhe dá 34 dos 65 mandatos do Parlamento Nacional e a possibilidade de formar o VIII Governo constitucional sem necessitar de qualquer apoio adicional. Em segundo lugar ficou a Fretilin, que liderou a coligação minoritária do anterior Governo, e que obteve cerca de 211 mil votos, ou 34,27% do total, mantendo o mesmo número de deputados, 23.

No Parlamento estará também o Partido Democrático (PD), parceiro da Fretilin no VII Governo, e que perdeu dois deputados para cinco, tendo obtido quase 49 mil votos ou 7,95% do total.

Os dados municipais estão agora a ser alvo de uma verificação, prevista na lei, pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), que está a resolver também cerca de 600 votos reclamados e outros pequenos incidentes. O processo está já na reta final, devendo ficar concluído hoje, estando a ser verificados os últimos dados da votação.

Depois de concluído este processo de verificação, a CNE “elabora a ata do apuramento dos resultados nacionais provisórios e afixa na sede”, entre quinta-feira e domingo próximo, segundo o calendário eleitoral oficial publicado. A lei dá às forças políticas um prazo de 48 horas, depois da publicação dessa ata, para a apresentação de eventuais recursos.

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