Timor-Leste

Primeiro-ministro timorense não se demite de gestão de enclave de Oecusse

O primeiro-ministro timorense e líder da Fretilin declarou que não se vai demitir da liderança da administração regional de Oecusse, apesar da derrota eleitoral.

ANTONIO DASIPARU/EPA

Autor
  • Agência Lusa

O primeiro-ministro timorense e líder da Fretilin, segundo partido mais votado nas legislativas de sábado, declarou esta quinta-feira que não se vai demitir da liderança da administração regional de Oecusse, apesar da derrota eleitoral.

“Não falo sobre isso. É uma questão de concorrência de competências entre vários órgãos de Estado”, afirmou Mari Alkatiri, ao ser questionado pela Lusa sobre a exigência feita pela liderança da AMP, que venceu as eleições, para que apresentasse a demissão.

“Só me demito se houver alguma razão em termos de gestão, porque as eleições não foram para eleger o presidente da ZEESM. Foram eleições gerais”, disse o líder da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), numa referência à Zona Especial de Economia Social de Mercado (ZEESM) na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA).

Na terça-feira, os líderes da Aliança de Mudança para o Progresso (AMP), Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak, disseram esperar que Mari Alkatiri “se demita”, como prometeu, de responsável da região administrativa especial de Oecusse. “A nossa premissa eleitoral é de que, se vencêssemos, o senhor Mari se retirava. Segundo: o senhor Mari prometeu que, se não atingisse mais de 20 mil votos, ia resignar”, disse Taur Matan Ruak, “número dois” da AMP, em conferência de imprensa.

“Estamos à espera que ele resigne, como ‘gentleman’, como político, que cumpra a sua palavra”, acrescentou Xanana Gusmão, líder da AMP.

Os comentários surgiram na sequência da vitória da AMP nas legislativas de sábado, em que a coligação da oposição conquistou uma maioria absoluta de 34 lugares entre os 65 do Parlamento Nacional. Na Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA), a AMP venceu a bateu Fretilin por uma diferença de mais de 11.600 votos.

A nível nacional, Oecusse foi a única região onde os votos no partido caíram em relação ao voto de julho de 2017, tendo subido em todos os outros municípios e na diáspora. Apesar de líderes da Fretilin continuarem a gerir a região, o partido obteve apenas 10.800 votos contra os mais de 22.400 da AMP.

A derrota levou Arsénio Bano – que ficou a assumir o cargo de presidente interino da RAEOA em substituição de Mari Alkatiri, quando este assumiu o cargo de primeiro-ministro em 2017 – a apresentar um pedido de desculpas na rede social Facebook.

O voto de sábado deu à AMP mais de 305 mil votos, ou 49,56% do total, o que permite que forme o VIII Governo constitucional sem necessitar de qualquer apoio adicional.

Em segundo lugar ficou a Fretilin, que liderou a coligação minoritária do anterior Governo, e que obteve cerca de 211 mil votos, ou 34,27% do total, mantendo o mesmo número de deputados, 23. No Parlamento estará também o Partido Democrático (PD), parceiro da Fretilin no VII Governo, que perdeu dois deputados para ficar com cinco, tendo obtido quase 49 mil votos ou 7,95% do total.

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