Incêndios

Proteção Civil. Teste crítico antes de época mais grave de incêndios

São dois dias com quase 840 elementos da Proteção Civil no terreno. A pouco mais de uma semana para o início da época crítica dos fogos, o novo comandante nacional ensaia um teste derradeiro.

PAULO NOVAIS/LUSA

Desde que assumiu funções, há pouco mais de uma semana, que Duarte da Costa tem repetido um mantra à sua equipa: nesta altura, a falha já não é uma opção. E para reforçar isso mesmo, esta sexta-feira, o novo comandante operacional nacional (CONAC) da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) vai coordenar um mega-exercício em que participam quase 840 elementos da casa e que vai servir para testar comunicações (entenda-se, o SIRESP), o novo sistema de alerta à população por SMS e a a forma como decorrem as ações no terreno.

É o grande teste à capacidade de reposta da ANPC a incêndios florestais, e que acontece já em cima do arranque da época crítica de fogos deste ano. Certo é que o combate aéreo fica de fora do exercício porque os helicópteros e aviões são “um meio caro, oneroso” a que não se vai recorrer, justifica o coronel. Duarte da Costa garante que essa opção nada tem a ver com o facto de o dispositivo estar aquém daquilo que estava previsto para esta fase do ano.

Não ia utilizá-los em situação nenhuma. Sei como atuam, sei como iam atuar nesta situação” e, por isso, não se justifica que entrem em ação, justifica o CONAC.

Vão ser dois dias de exercício (entre sexta-feira e sábado), com uma palavra de ordem: treinar, treinar, treinar. O objetivo é envolver todos os agentes que vão operar sob o comando da ANPC no combate aos incêndios deste ano — entre bombeiros, GNR e Forças Armadas — e testar no terreno os meios usados nesse combate. “Só treinando podemos ser proficientes” e só assim se ganhará a “consciência” daquilo que é ou não possível fazer, diz Duarte da Costa, num encontro com jornalistas para apresentar o Montemuro18.

Os exercícios vão decorrer em Aveiro e Viseu. Uma localidade — Aziboso, em Cinfães — vai ser evacuada e, pela primeira vez, vão ser enviadas mensagens de alerta à população com a informação sobre o risco de incêndios na região. O sistema, já se sabe, não está a 100%, e esse é mais um teste à capacidade de ação da ANPC — um organismo que tem passado por sucessivas convulsões desde os incêndios de junho e outubro do ano passado e que o coronel do Exército agora herdou.

Não tenho uma bola de cristal, mas estou a trabalhar para garantir que aquilo que se passou no ano passado não se passa este ano”, diz.

Uma das maiores dificuldades sentidas nas duas tragédias de 2017 foram as comunicações. O SIRESP, por exemplo, esteve parado num total de 14 horas naqueles primeiros dias do incêndio de Pedrógão Grande. Entretanto, foram compradas mais quatro antenas móveis e estão a ser instaladas mais de 400 antenas de reforço à rede. “Vamos testar se estão ou não estão capazes” de responder a uma situação de “sobrecarga”, sublinha o coronel.

O teste crítico deste fim de semana é um encarado como um exercício complexo e que serve para testar as capacidades do dispositivo deste ano, incluindo as comunicações.  Temos de testar [o sistema] com sobrecarga de utilizadores” — um dos problemas apontados nos relatórios aos incêndios de 2017, admite o comandante da ANPC.

Ainda assim fica a dúvida: estará tudo pronto para uma reação eficaz quando os incêndios começarem a exigir respostas? Duarte da Costa recorre à formação militar: “Tenho o dispositivo para a modalidade mais provável, mas acautelando a modalidade mais perigosa.”

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