Incêndios

Associação procura voluntários para ‘campos de férias’ de reabilitação de casas afetadas pelos incêndios

A associação Just a Chance procura voluntários para 15 'campos de férias' no verão, onde prevê reabilitar cerca de 50 casas, algumas das quais em Tondela, Santa Comba Dão e Arganil.

NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

A associação Just a Chance procura voluntários para 15 ‘campos de férias’ no verão, onde prevê reabilitar cerca de 50 casas, algumas das quais em Tondela, Santa Comba Dão e Arganil, concelhos muito afetados pelos incêndios em 2017. Duarte Fonseca, diretor de estratégia e desenvolvimento da associação sem fins lucrativos, que reabilita casas de pessoas carenciadas, explicou à agência Lusa, que, à semelhança do ano passado, a associação vai intervir em zonas afetadas pelos incêndios.

“Este ano vamos para 12 locais espalhados pelo país, com 15 campos. Estamos muito focados nos novos locais de campo nas zonas de incêndios. No ano passado já tínhamos estado em Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, onde participámos nas primeiras quatro casas que foram então reabilitadas”, contou o responsável.

Agora, já estão abertas as inscrições para os cerca de mil voluntários pretendidos este ano, já que a organização deu “um salto grande” e de cinco/seis campos realizados em 2017 vai passar para 15, em Setúbal, Ferreira do Zêzere, Cascais, Óbidos, Sever do Vouga e Vila Pouca de Aguiar, além de concelhos atingidos pelos incêndios.

O responsável adiantou ainda que os voluntários são essencialmente estudantes universitários, mas nestes campos de férias participam ainda voluntários mais velhos “e com experiência em campos anteriores para fazer a ponte com o técnico de obra, gerir os voluntários, assumindo o papel de coordenadores”.

“Vai ser uma megaoperação nos próximos três meses, ali entre julho e setembro. Uma operação complexa, mas que vai ser ótima”, referiu, lembrando que as equipas vão “reabilitar, não construir”. Duarte Fonseca explicou que a Just a Chance “trabalha sempre com as câmaras municipais e/ou juntas de freguesia”, em “casas e casos concretos” que foram sinalizados por assistentes sociais.

“Depois de conhecer os casos validamos segundo os nossos critérios de pobreza habitacional. Escolhemos pelo estado de degradação, condição socioeconómica e depois intervimos”, disse, esclarecendo que não fazem nada de raiz, mas reabilitação de telhados, canalização, eletricidade, pinturas, e também “aquela parte estética que é importante para a autoestima” das pessoas.

Basicamente, o dia-a-dia do campo de férias começa com o pequeno-almoço pelas 07:30 e às 09:00 os voluntários encontram-se na obra, onde permanecem até às 18h00. Pelo meio almoçam, ainda na obra, com a família com a qual estão a colaborar, “de forma a criar uma relação”. Ao final do dia, há um encontro num local próximo de água, rio, barragem ou praia, consoante a zona, para relaxar, explicou Duarte Fonseca.

Para ‘chefiar’ toda a operação, há uma direção de campo, também voluntária, que coordena tudo o que é preciso paralelamente à obra, como as refeições, alojamentos dos voluntários e outras questões logísticas. “Cada casa para ser reabilitada tem um mestre de obras, contratado localmente de forma a injetar dinheiro na economia local, um coordenador de voluntários e os próprios voluntários”, referiu, acrescentando que os campos são de sete ou 12 dias, conforme a obra a intervencionar, e só há descanso ao domingo.

O Just a Change foi fundado em 2010 com o objetivo de recuperar casas degradadas de pessoas com poucos recursos devido ao apoio de voluntários, parceiros locais e empresas. Desde a sua criação esta organização sem fins lucrativos já beneficiou quase 100 casas e 30 instituições, com benefícios para os que nelas habitam ou dependem.

Em 2017 foi distinguida pelas Nações Unidas no âmbito do “Social Innovation to Tackle Fuel Poverty”, um programa criado pela conferência sobre Alterações Climáticas (COP23).

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