Os 23 homens detidos na sequência das agressões a jogadores e equipa técnica do Sporting na Academia de Alcochete não eram exatamente desconhecidos das autoridades. Pelo menos três estarão diretamente envolvidos na morte do adepto italiano Marco Ficini, mais de uma dezena tinha antecedentes criminais e um dos envolvidos na agressão cumpriu pena por tentativa de homícidio. Seis são sócios do clube de Alvalade.

O perfil dos alegados agressores vai sendo conhecido à medida que são revelados mais detalhes sobre o caso. Sabe-se que a grande a maioria dos suspeitos reside na região da Grande Lisboa, mas há elementos da região de Leiria, Madeira e Algarve. São praticamente todos de nacionalidade portuguesa, à exceção de um, que tem nacionalidade cabo-verdiana.

No despacho de indiciação a que o Observador teve acesso, é possível perceber que os suspeitos têm idades compreendidas entre os 35 e os 21 anos. São suspeitos dos crimes de introdução em lugar vedado ao público, ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada, sequestro, dano com violência, detenção de arma proibida agravada, incêndio florestal, resistência e coação sobre funcionários e terrorismo.

De acordo com o Correio da Manhã, três destes suspeitos estão envolvidos no processo da morte de Marco Ficini, adepto ligado ao Sporting que morreu vítima de atropelamento junto do estádio da Luz, em abril do ano passado, não sendo de descartar a hipótese de haver mais elementos comuns aos dois casos.

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O mesmo jornal dava ainda conta que 16 dos 23 detidos têm ficha na polícia, com várias participações no cadastro criminal: coação e resistência às autoridades, participação em rixa, nomeadamente em lutas entre claques, e também tráfico de droga. Um dos suspeitos chegou mesmo a cumprir pena por tentativa de homicídio.

No despacho do Ministério Público, alguns são descritos como “condutores”, sem que sejam acrescentados mais detalhes. Lá são relatados os atos praticados pelos agressores, desde a forma como entraram na Academia e atiraram tochas na direção de Jorge Jesus, até à forma como agrediram com cintos, socos e pontapés jogadores e equipa técnica. Largos minutos depois de invadirem a Academia de Alcochete, a grande maioria dos radicais abandonou o local, de carro ou a pé. Cercados pela GNR, alguns dos suspeitos tentaram mesmo abalroar a viatura militar. Só a “destreza” do condutor impediu que algo mais grave acontecesse.