A Taça é isto. A fumarada da carne a apurar no carvão entranha-se, entranha-se nas camisolas – e são mais, bem mais as verde-Sporting que as encarnadas-avenses –, entranha-se por toda a mata que envolve o Estádio Nacional, entranha-se e cria uma neblina que, mais do que nublar, convida a visitar as barracas de comida. O calor é calor de verão. E a sede aqui não se sacia com água. Perde-se a conta às imperais servidas. E pela hora de almoço já há adeptos visivelmente embriagados.

Um deles, e à passagem de uma pick-up da PSP, coloca-se “distraidamente” à frente dela, impedindo a passagem. Não responde à breve buzinadela das autoridades. “Hey, oh Zé, sai dai! Deixa os senhores andar…” Zé responde, já trôpego: “Hoje? Hoje não fazem eles falta! Na terça-feira onde é que eles ‘tavam?! Não ‘tavam…”

A invasão da Academia de Alcochete é tema de conversa, pois claro. O único. “Pá, isto é assim: o Sporting não é dele, não é daquele gajo, o Sporting é nosso, dos sócios. E ou o gajo sai a bem ou o gajo sai a mal…” O “gajo” é o presidente Bruno de Carvalho. E a conversa escutada entre uma bifana e outra, uma imperial e outra. Outras. Muitas. Bruno não é mais um bem-amado dos adeptos. E aquele que ousar (sim: ousar) sair em sua defesa, é “convidado” (houve até um episódio isolado de empurrões e ofensas verbais que a polícia prontamente abreviou) a seguir caminho para outra roulotte.

Quem também não é bem acolhido por aqui é um adepto leonino, ainda adolescente, envergando uma t-shirt onde impresso trazia o nome da claque Juve Leo — envolvida nos episódios de violência do começo da semana. “Oh filho da…”, escutou-se primeiro. “Vocês deviam era ter vergonha na pu… da cara e nem aqui aparecer!” O adepto ouviu, calou-se, e seguiu.

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Já perto da zona dos torniquetes de acesso às bancadas, cruza-se com os que esperam um adepto que podia ser irmão gémeo de Slimani, separados à nascença numa qualquer maternidade de Al-Jazā’er, na Argélia. Ele sabe que dá ares de magrebino goleador. E nas costas da camisola tem escrito SLIMANI, seguido do número que era por ele usado em Alvalade: o nove. “Tu é que fazias cá falta, que o outro [Bas Dost] está com a cabeça toda fodi…” A Taça é isto, festa — até quando a festa parecia estragada é festa.

(Isto e candongueiros. E aqueles que os procuram desesperados por um derradeiro bilhete para a comemorá-la lá dentro, que cá fora já está a dar as últimas.)

Um dia de Jamor: a cerveja, o porco no espeto, a confusão e as detenções (que foram 22)