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“O ciclo de Bruno de Carvalho acabou. É uma questão de dias. Ele não tem alternativas. E o único verdadeiro culpado é Bruno de Carvalho. Não pode culpar mais ninguém”. Luís Marques Mendes dedicou a maior parte do seu comentário semanal na SIC à crise no Sporting e elencou o que considera serem os quatro pecados capitais de Bruno de Carvalho:

  1. Deslumbramento: “Quis ser uma espécie de Pinto da Costa do Sporting, quis imitar Pinto da Costa. Faltou-lhe competência e sensibilidade. Deslumbrou-se, subiu-lhe o poder à cabeça. E isto é fatal quando não há resultados”
  2. Controlo: “Subiu à cabeça o síndrome napoleónico, de querer controlar tudo, atirar em todas as direções, criar inimigos em todo o lado”.
  3.  Hostilidade: “Não percebeu que o mais importante num clube de futebol são os jogadores. Quando o presidente hostiliza os jogadores é suicídio”
  4.  Violência: “Com a violência em Alcohcete traçou a sua saída. Não estou a  dizer que é o mandante. É o instigador moral daquelas cenas, pelo discurso, pela retórica, pelas entrevistas, pelas declarações. Foi ele que criou o ambiente de violência”

O comentador dedicou ainda algumas palavras aos sócios que só agora se demarcaram do presidente e fez uma comparação com o caso do ex-primeiro-ministro. “Os sócios têm de ter mais cuidado. É como no caso Sócrates. Durante anos ninguém viu nada. De repente já toda a gente viu tudo. Recomendava mais atenção”.

“Temos as melhores leis do mundo em violência desportiva? É mentira”

Marques Mendes criticou também a legislação: “Costuma dizer-se que temos as melhores leis do mundo em violência desportiva. É mentira.” E exemplificou que estão previstas sanções acessórias para impedir adeptos com comportamento violento de entrar em espectáculos desportivos, mas que apenas se podem aplicar caso esse comportamento violento tenha sido verificado num espectáculo desportivo. “Como em Alcochete não havia nenhum espectáculo deportivo, nada os impede de voltar ao estádio”, disse, referindo-se aos 23 detidos que ainda desconhecem as medidas de coacção.

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Falou das claques dos clubes grandes como “escolas de crime e guardas pretorianas dos presidentes” e considerou como responsáveis os clubes, a liga e os sucessivos governos “fracos, incompetentes, medo de tomar decisões com medo de perder votos”.

Além da crise no Sporting, Marques Mendes falou ainda sobre o Congresso do PS do próximo fim-de-semana, que antevê que seja um “supercomício televisivo”, e perspetivou a subida de quatro jovens à direção: Pedro Nuno Santos (apontado como um “líder para o futuro, lançado na calha”), Mariana Vieira da Silva, Alexandra Leitão e Ana Mendes Godinho.

Quanto a José Sócrates, prevê que seja um tema ausente das intervenções no congresso: “Estão todos aliviadíssimos por José Sócrates ter saído do partido”.