Uma nuvem quente e ácida de cinzas começou a ser emitida pela lava que chegou ao oceano Pacífico depois de ter sido expelida pelo vulcão Kilauea, no Havai. De acordo com Jessica Johnson, que estudou este vulcão ao longo de dois anos, o contacto da lava escaldante — a temperatura pode chegar aos 1.500ºC — com a água do oceano provoca explosões que, por sua vez, dão origem a bolhas de ácido clorídrico. Esta é uma substância que provoca irritações nos olhos e na pele quando lançadas para a atmosfera. E quando misturada com as nuvens de cinzas resultantes das erupções explosivas pode levá-la para ainda mais longe.

Estas são as mais recentes observações feitas a um vulcão que está ativo há 35 anos, mas que entrou em erupção a 30 de abril. Desde então, o vulcão Kilauea já expeliu rios de lava fluida muitos velozes que engoliram carros, ameaçaram dezenas de casas e cobriram campos de cultivo inteiros. Entretanto, há lava a ser expelida das pelo menos 23 fissuras que rasgaram o solo havaiano desde então, algumas delas com mais de quatro quilómetros de comprimento.

O relatório mais recente do Serviço Geológico dos Estados Unidos dá ainda conta de mais uma erupção explosiva que lançou uma nuvem de cinzas que chegou aos 2.133 metros de altitude. É a terceira erupção explosiva mais significativa do vulcão Kilauea desde 30 de abril: a segunda resultou numa nuvem de cinzas que alcançou os 12 mil metros de altitude, mas que não prejudicou a população porque foi levada pelo vento para o nordeste do Kilauea.

O Observatório dos Vulcões Havaianos avisou em comunicado que “a qualquer altura, a atividade pode tornar-se mais explosiva, aumentando a quantidade de produção de cinzas e de projéteis”. Foi por isso que a Honolulu Civil Beat montou uma câmara que está permanentemente ligada e apontada ao cume do Kilauea: de acordo com as informações disponíveis no YouTube, a câmara foi montada numa casa a 800 metros do vulcão para monitorizar a atividade da lava. Pode ver o livestreaming aqui.