O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, congratulou-se esta segunda-feira pelo facto de as pessoas que foram afetadas pelos incêndios de outubro de 2017 olharem mais para o futuro do que para o passado. “As pessoas não esquecem o que se passou, mas olham para a frente, mais do que olham para trás”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, ao discursar na Câmara de Gouveia, considerando que esta foi uma das lições que leva de cinco horas de visita a este concelho do distrito da Guarda.

O chefe de Estado disse que uma mulher lhe contou que uma amiga a foi buscar quando hesitava, “como muitos hesitaram, entre voltar atrás para ir salvar isto, aquilo, aqueloutro, no fundo, pedaços da vida, ou partir para outra vida”. “E houve quem lhe pegasse e disse: ‘vamos, não olhe para trás’. E ela repetiu esta frase”, contou.

Na sua opinião, estas pessoas, “se olhassem para trás, só perdiam a capacidade de olharem para a frente”, ficando presas “de modo irremediável a esse passado”, quando “têm direito a um futuro”. “É desse futuro, que já começou, que aqui falamos hoje. Demora tempo, demora. Aqui é uma casa que está adjudicada, mas ainda não começou a construção, ali já há uma decisão, mas falta agora desbloquear mais verbas para a concretização plena. Acolá é o maior atraso porque a situação é mais complexa”, enumerou.

No entanto, “mais além é alguém que já está realojado e que diz: ‘estou feliz na minha casa'”, frisou. Marcelo Rebelo de Sousa admitiu nunca ter pensado, depois do que aconteceu, sentir-se feliz como se sente hoje. “Reganhei a felicidade. Isto são lições de vida. Preferia não as ter vivido? Preferia. Preferia que o país tivesse saltado por cima daqueles meses entre junho e outubro”, afirmou.

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No entanto, “tendo existido, que lição esta de coragem, de persistência, de determinação de querer construir um futuro diferente”, sublinhou. O Presidente da República destacou a fibra e o heroísmo destas pessoas e “a capacidade de não apenas manifestarem coragem no instante, mas manifestarem determinação continuada dia após dia, semana após semana, mês após mês”.

“E estamos a falar em mais de seis meses. Não desistiram, não desfaleceram, não pararam para olhar para trás, não duvidaram que era preciso seguir em frente”, acrescentou.