Yulia Skripal, a filha do ex-espião russo Sergei Skripal, falou publicamente pela primeira vez desde que ambos foram envenenados por um agente nervoso em Salisbury, Reino Unido, a 4 de março. Numa declaração escrita enviada à Reuters a partir de uma localização secreta em Londres – por estar sob proteção do Estado britânico -, afirmou que ela e o pai tiveram “sorte” por terem sobrevivido a uma tentativa de assassinato.

Temos tanta sorte por termos ambos sobrevivido a uma tentativa de assassinato. A nossa recuperação tem sido lenta e extremamente dolorosa”, disse Yulia, que só saiu do coma 20 dias depois de ter sido envenenada e esteve cinco semanas internada no hospital de Salisbury. Já o pai só teve alta no passado dia 18 de maio.

A filha do ex-espião russo decidiu falar publicamente pela primeira vez e pediu à polícia britânica para entrar em contacto com a Reuters. No comunicado, escrito em inglês e russo, Yulia Skripal recordou que acordou do coma com a notícia de que tinha sido envenenada por um agente nervoso. “A minha vida está virada do avesso”, confessou.

Apesar de se mostrar “chocada” com o facto de a arma do crime ter sido o agente nervoso novichok, Yulia Skripal garante que quer regressar à Rússia “a longo prazo”.

Sergei e Yulia Skripal, pai e filha, foram envenenados por um agente nervoso a 4 de março, em Salisbury, no Reino Unido. O caso Skripal provocou uma crise diplomática que se traduziu numa ação coordenada inédita para a expulsão de cerca de 150 diplomatas russos de vários países ocidentais, incluindo os Estados Unidos e dois terços dos países membros da União Europeia, a que a Rússia respondeu com a expulsão de 150 diplomatas ocidentais.

O Reino Unido responsabiliza a Rússia pelo ataque, perpetrado com uma substância neurotóxica de uso militar, desenvolvida nos anos 70 na União Soviética – o novichok – mas os russos negam qualquer envolvimento no caso.