A Coreia do Norte diz ter destruído os túneis que compõem o local onde o país faz os testes nucleares, cumprindo a promessa que fez aos Estados Unidos perante os jornalistas internacionais convidados para assistir ao momento. Tom Cheshire, correspondente da Sky News na Ásia, disse que os explosivos foram montados nas entradas dos túneis e depois detonados, provocando o colapso da região: “Nós escalámos umas montanhas e assistimos à detonação a cerca de 500 metros do local”, confirmou o jornalista. Houve uma contagem decrescente e a seguir “houve uma grande explosão, conseguia-se senti-la”. “Havia pó na nossa direção, sentíamos o calor a vir até nós. Foi extremamente violento”, descreveu Tom Cheshire.

Apesar das incertezas em redor da cimeira entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, Kim Jong-un cumpre assim o acordo de parar completamente os testes nucleares antes do encontro com Donald Trump marcado para 12 de junho em Singapura. Este local, chamado Punggye-ri, foi o palco dos seis testes nucleares levados a cabo pela Coreia do Norte. O mais recente de todos aconteceu em setembro: Kim Jong-un testou uma bomba de hidrogénio que provocou um sismo de magnitude 6,3 na escala de Richter sentido na China.

A destruição dos túneis não significa que a Coreia do Norte esteja a destruir o arsenal de armas nucleares que possa ter, mas apenas que já não tem um lugar para o testar. Aliás, os jornalistas viram dois novos túneis construídos nas montanhas de Punggye-ri. Esses túneis “nunca tinham sido usados no passado e estavam prontos até hoje para realizar um teste nuclear de alta potência a qualquer momento”, confirmou Will Ripley, jornalista da CNN convidado para o evento.

O jornalista disse ter assistido à detonação de três túneis — os número dois, três e quatro — numa estadia de 10 horas em Punggye-ri, composto por quatro túneis principais que serpenteiam pelas montanhas do nordeste da Coreia do Norte que podem ter colapsado parcialmente em abril, como sugeriram os geólogos chineses: “Eles levaram-nos a três dos quatro túneis do local. Pudemos abrir as portas do túnel e espreitar o interior, mas não conseguimos entrar nos túneis”, disse o jornalista. “Tanto quanto conseguíamos ver, os túneis foram equipados com explosivos”, confirma.

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A natureza desses explosivos não foi revelada pelo governo norte-coreano, mas os jornalistas da CNN descrevem-nos como esféricos, com o tamanho de bolas de futebol, encarrilados uns atrás dos outros e visíveis até a uma distância de 35 metros a partir da entrada do túnel. Depois de explodirem, os jornalistas voltaram a aproximar-se do local e dizem ter visto os túneis desabados e as entradas tapadas por destroços. Não há portanto certezas se a destruição dos túneis foi total ou apenas parcial.

Além dos túneis, a Coreia do Norte também destruiu infraestruturas de observação, locais de estadias para militares e um armazém de fundição de metais, acrescenta o The New York Times. Isso também foi visto pelos jornalistas convidados para a Coreia do Norte, embora não houvesse especialistas no grupo de visitantes a Punggye-ri.