Governo

Governo desmente “em absoluto” pressão política sobre justiça

O ministro dos negócios estrangeiros afirmou que "se houve comportamento das autoridades políticas portuguesas, foi de inteiro respeito pelo processo judicial e pelas decisões judiciais"

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O ministro dos Negócios Estrangeiros desmentiu esta quinta-feira “em absoluto” que as autoridades políticas portuguesas tenham exercido pressão política para que a justiça decidisse enviar o processo do ex-vice-Presidente angolano para Luanda, como afirmou a eurodeputada socialista Ana Gomes.

“No que me diz respeito, se a alegação de que houve pressão política quisesse dizer pressão das autoridades políticas portuguesas, eu desminto em absoluto”, afirmou aos jornalistas Augusto Santos Silva, à margem da abertura da conferência “Europe as a Global Actor”, no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa. O chefe da diplomacia portuguesa disse conhecer “muito bem o processo”.

“Como aliás é público e notório, se houve comportamento das autoridades políticas portuguesas, foi de inteiro respeito pelo processo judicial e pelas decisões judiciais”, salientou.

Em entrevista à rádio TSF, a eurodeputada do PS Ana Gomes afirmou que a transferência do processo de Manuel Vicente para Luanda – que era exigida pelas autoridades angolanas e que o Governo português classificava como “o único irritante” nas relações bilaterais – “foi fabricada”. Ana Gomes considerou que a decisão do Tribunal da Relação de remeter o processo para Angola foi uma “decisão fabricada à medida do que é conveniente e com o objetivo de fazer desaparecer o irritante”.

Na mesma entrevista, a socialista considerou que Portugal “continua a ser uma lavandaria de Angola, num esquema de branqueamento de capitais”. Uma expressão que, comentou esta quinta-feira Santos Silva, “só responsabiliza” Ana Gomes. “Apenas lamento que esta tentação que às vezes se tem de se procurar arvorar em justiceiro pode levar a níveis de irresponsabilidade política que me continuam a surpreender”, disse.

Questionado sobre se estas declarações podem prejudicar a visita do primeiro-ministro, António Costa, a Angola, que está a ser preparada, Santos Silva recusou. “Quem fala com Angola em nome de Portugal é o Presidente da República, o Governo, quem conduz a política externa é o Governo, são as minhas palavras que contam”, disse.

Portugal e Angola “estão a trabalhar” na deslocação oficial de Costa a Luanda, que estava suspensa devido ao impasse sobre o processo de Manuel Vicente, disse ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros, que se escusou a revelar se já há data para essa visita. O ex-vice-Presidente de Angola é acusado de ter corrompido o ex-procurador português Orlando Figueira, no processo Operação Fizz, com o pagamento de 760 mil euros, para o arquivamento de dois inquéritos, um deles o caso Portmill.

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