Só em 2017 foram abatidos cerca de 12 mil cães e gatos nos municípios portugueses, avança o jornal Público. A quatro meses da entrada em vigor da lei que proíbe a eutanásia nos canis municipais como forma de controlo dos animais errantes, são muitas as autarquias que ainda não estão preparadas para o fazer.

As autarquias admitem obras de modernização nos próximos anos, incluindo o alargamento dos canis, pois muitos não têm mais espaço e condições para acolher novos animais. Face a estes planos, 23% dos municípios ainda matam cães e gatos saudáveis. 31 municípios ainda não têm canis.

O diretor-geral da Veterinária, Fernando Bernardo, admitiu durante um debate promovido pelo PAN – partido Pessoas-Animais-Natureza a possibilidade de pedir ao Governo um alargamento do prazo para a criação dos centros de recolha de animais e para o fim da eutanásia nos canis, mas o caminho não tem sido fácil.

A lei que proíbe o abate de animais dos canis e gatis municipais entrou em vigor em 2016, mas a proibição só tem efeitos práticos a partir de 22 de setembro de 2018, devendo a Direção-Geral de Veterinária e os municípios criarem até lá condições para efetuarem a esterilização dos animais. O PAN está contra o adiamento do prazo, pois considera que “a solução é pressionar os municípios, que são obrigados desde 1925, há quase cem anos, a ter centros de recolha”, disse a jurista Cristina Rodrigues ao jornal.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Marisa Quaresma dos Reis, provedora dos animais de Lisboa, criticou a “inércia” das autarquias nesta temática e a “negligência” do Governo por apenas ter lançado no mês passado o programa de incentivos financeiros – no valor de um milhão de euros – para modernizar os canis, tendo dado, inicialmente, apenas um mês para os municípios se candidatarem.

Segundo os dados da Direção-Geral de Veterinária, em 2016 foram recolhidos nos canis 28.600 animais. 8200 ficaram de fora por falta de espaço. O mesmo relatório indica que, mesmo com o anúncio da lei que proíbe o abate nos canis, este aumentou cerca de 25%, passando de 9462 em 2016 para 11.819 em 2017.