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Sistema de videovigilância da Academia de Alcochete é controlado em Alvalade

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As câmaras de vigilância instaladas na Academia de Alcochete são controladas remotamente em Alvalade e no dia do ataque houve uma falha no sistema durante a invasão.

Há um equipa de informáticos no estádio José Alvalade que controla as câmaras da Academia de Alcochete

MIGUEL A. LOPES/LUSA

As câmaras de videovigilância instaladas na Academia do Sporting, em Alcochete, são monitorizadas a partir do estádio José Alvalade e o sistema sofreu uma falha precisamente no momento em que os cerca de 50 adeptos invadiram aquele espaço, a 15 de maio, semeando o pânico entre os jogadores e a equipa técnica dos verdes.

Segundo informações que constam no processo, e a que o Observador teve acesso, depois do ataque à Academia, a equipa do Núcleo de Investigação Criminal da GNR, que se deslocou ao local, pediu ao diretor de segurança que lhes fornecesse as imagens captadas pelo sistema de videovigilância “para confirmação e apuramento dos factos ocorridos”. Mas, nesse momento, o responsável abordado “verificou que este se encontrava inoperacional, impossibilitando a visualização das imagens requeridas naquele momento”.

Ainda de acordo com o auto da GNR, o responsável pela segurança explicou que o acesso físico ao sistema era feito ali, mas que este podia ser controlado remotamente a partir das instalações do estádio José Alvalade, em Lisboa. O segurança contactou, então, por telemóvel a equipa informática responsável, que se encontrava no estádio. Mas esta informou ter detetado uma anomalia no sistema às 17h18, prontificando-se a deslocar-se à Academia para resolver o problema.

Essas imagens só foram entregues, no entanto, pelas 5h00 do dia seguinte, ou seja cerca de 12 horas após a entrada dos suspeitos, e depois de uma equipa especializada na recolha de prova digital da GNR ter ido buscar as mesmas à Academia. Após “o visionamento e a extração de fotogramas das imagens apreendidas, foi possível confirmar a veracidade dos factos denunciados e participados”, revela a GNR, que fez uma exaustiva comparação dos fotogramas com a identificação dos indivíduos, comparando-os pelas características físicas e pela roupa que traziam vestida por altura do crime.

São cerca de 40 os fotogramas apresentados no processo que mostram a entrada dos adeptos na Academia e, depois, na zona de acesso aos balneários. No entanto, a saída dos adeptos — que as testemunhas dizem ter sido uma saída abrupta, com adeptos a correrem em direção aos carros estacionados no exterior e outros a saltarem a vedação — não está gravada. Isso mesmo foi contestado por alguns advogados dos 23 arguidos detidos, durante os interrogatórios judiciais. A defesa também alegou que algumas imagens retiradas do sistema de videovigilância não correspondem às fotografias dos suspeitos tiradas logo após a detenção, no posto da GNR.

Recorde-se que o grupo de cerca de 50 adeptos que invadiu a Academia terá chegado às instalações pelas 17h00, deixando os carros próprios a cerca de um quilómetro do local, e que a primeira chamada para o comandante de posto da GNR foi feita pelas 17h06. Nove minutos depois, o chefe de segurança da Academia voltou a ligar para o comandante para lhe comunicar que “um grupo de indivíduos encapuzados já se encontrava no interior das instalações” e já teria “ameaçado, coagido e agredido fisicamente jogadores e elementos da equipa técnica”.

A informação de que um grupo de adeptos iria deslocar-se à Academia para falarem com os jogadores, dias antes do jogo para a Taça, já tinha chegado aos ouvidos dos seguranças das instalações momentos antes da invasão e do ataque. Ainda assim, só um membro da equipa de segurança privada estava na portaria quando o grupo chegou.

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