A rede social Facebook suspendeu a página “Movimento Cívico pela Despenalização da Morte Assistida”, uma página de apoio à eutanásia. De acordo com as explicações de Bruno Maia, um dos líderes do movimento, ao Diário de Notícias, a página está “suspensa por avaliação” depois de várias pessoas a terem denunciado. Entretanto, Francisco Louçã já se pronunciou no Facebook: “Dizem-me que o Facebook eliminou a página do Movimento Cívico pela Morte Assistida. Se assim é, lamento que o Facebook se deixe instrumentalizar pelo ódio e aceite restringir o pluralismo no espaço público”.

Na mesma mensagem, o ex-coordenador bloquista retira carga política à publicação: “Pelo meu lado, farei a mesma crítica à censura se o Facebook decidir eliminar a página do CDS ou do PCP”, que também são a favor da morte assistida. Duas horas e meia depois, Louçã publicava um vídeo onde personalidades portuguesas defendiam a eutanásia, mas que foi pelo menos temporariamente eliminada pelo Facebook ” porque os adversários da despenalização da eutanásia denunciaram a página”, algo que o bloquista diz ser “um exercício de ódio”. Segundo Francisco Louçã, o vídeo tinha 500 mil visualizações.

Um apelo de personalidades com meio milhão de visualizações, apagado pelo FB porque os adversários da despenalização da eutanásia denunciaram a página – eis um exercício de ódio.

Posted by Francisco Louçã on Friday, May 25, 2018

O vídeo continua disponível tanto na página de Internet do movimento como no YouTube e foi partilhado outra vez esta sexta-feira numa mensagem da direção do Movimento Cívico Direito a Morrer com Dignidade: “Esta sexta-feira, dia 25 de Maio, 4 dias antes da votação sobre a morte assistida na Assembleia da República, a página do movimento “Direito a morrer com dignidade” foi desactivada. Não foi recebida qualquer notificação e as várias tentativas de se fazer uma verificação de segurança, obtendo um código via telemóvel, que talvez permitisse desbloquear a página, foram infrutíferas”, denuncia.

A direção, de onde faz parte o médico Bruno Maia, deixa ainda uma pergunta: “Tratando-se de um movimento que pugna pela despenalização da morte assistida num momento em que Portugal discute e votará este tema em breve, será que a direção do movimento deve presumir que o Facebook tomou partido nesta questão?”. Os líderes do movimento já contactaram o Facebook, mas não terão ainda recebido qualquer resposta da rede social.

Ao Diário de Notícias, Bruno Maia disse acreditar “que se tratou de um bloqueio organizado porque o Facebook só suspende páginas quando há um número elevado de queixas”, explica. O médico estar a tentar recuperar a página, que não foi eliminada, mas apenas bloqueada e por isso pode voltar ao ativo: “Queremos a mesma página, se não for possível desbloqueá-la ainda hoje  iremos apresentar queixa formal junto do Facebook a pedir esclarecimentos”, conclui.