África

Presidente do BAD vai à Cimeira da CPLP na Praia para assinar Compacto

O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, vai em julho à Cimeira da CPLP para assinar o Compacto para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

ANTÓNIO AMARAL/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, vai em julho à Cimeira da CPLP, em Cabo Verde, para assinar o acordo que cria o Compacto para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

O anúncio foi feito pelo próprio presidente do Banco numa reunião interna de preparação do Compacto, com a participação dos chefes das delegações dos países lusófonos, na qual foram apresentados os objetivos e o calendário, e a que a Lusa teve acesso.

“A ideia é anunciar este Compacto aqui em Busan, depois reunir o comité de validação com todos os acionistas, idealmente em junho, em Lisboa, e a seguir assinar o acordo na Cidade da Praia, durante a Cimeira da CPLP, em julho”, disse Adesina durante uma das várias intervenções para apresentar de forma mais detalhada o Compacto aos países intervenientes. “No Fórum de Investimento Africano, na África do Sul, em novembro, faremos a apresentação aos investidores, e depois a implementação e o lançamento do Compacto, depois de fazermos as discussões em cada país, começa em janeiro de 2019”, acrescentou o presidente do BAD.

Na reunião, em que participaram os chefes das delegações lusófonos no Encontro Anual do BAD, que termina esta sexta-feira em Busan, na Coreia do Sul, foi notória a preocupação em que os projetos que o BAD quer financiar se adequem às prioridades internas de cada Estado, garantindo ‘ownership’ para os países africanos. “Esta é uma ótima iniciativa, desde que os projetos estejam alinhados com as prioridades de cada país”, vincou o ministro das Finanças de Cabo Verde, Olavo Correia.

“Este é um projeto muito ambicioso, muito interessante e que corresponderá a projetos economicamente fortes, sustentáveis e que tragam prosperidade a todos os países envolvidos”, disse a secretária da Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro que, juntamente com Adesina, liderou a reunião.

O ministro das Finanças de Moçambique, Adriano Maleiane, saudou a iniciativa e disse concordar com a ideia geral: “Concordo com os passos propostos e estamos disponíveis para receber os consultores e trabalhar neste levantamento que está a ser proposto”. Moçambique, aliás, apresentou logo as áreas em que vai apresentar propostas ao BAD para financiamento: agricultura, energia, turismo e infraestruturas.

O Compacto, vincou Maleiane, “é uma plataforma importante para coordenar ideias, e tendo o apoio de uma instituição forte como o BAD, naturalmente que vai ser muito mais fácil” responder ao desafio de “encontrar uma estratégia para ir buscar os investimentos e sobretudo trazer o setor privado para os nossos países”.

O representante de Angola no BAD, Luís Ngimbi, disse que o país está “aberto para esta boa iniciativa e encorajamo-la”, defendendo que é fundamental “fortalecer o relacionamento” entre os países lusófonos. Na mesma linha, o ministro das Finanças de Moçambique reconheceu que “temos capacidades que não estamos a usar, e as trocas comerciais também não estão a fluir”.

Durante a reunião de trabalho, a que a Lusa teve acesso, o vice-presidente do BAD Khaled Sherif disse que as importações dos seis países lusófonos ascendem a 100 mil milhões de dólares, mas “o comércio entre este bloco lusófono é inferior a 8% do total”. Para o banqueiro, “fazendo as contas muito por alto, a simples melhoria dos termos comerciais dentro da lusofonia teria a capacidade de criar 2 a 3 milhões de empregos”.

De acordo com a documentação distribuída às delegações participantes, e a que a Lusa teve acesso, o Compacto tem como principais objetivos “mobilizar fundos financeiros privados, fundos soberanos e o setor privado para facilitar projetos de infraestrutura com a capacidade para transformar os países lusófonos africanos”.

Por outro lado, pretende também “alavancar oportunidades relevantes para os PALOP dentro do âmbito mais alargado do Fórum de Investimento Africano, em particular, e ajudar a fechar o desfasamento entre o capital disponível e os projetos bancáveis”.

O terceiro objetivo, segundo a documentação, é “dar apoio às políticas e assistência técnica aos PALOP para usarem o crescimento rápido dos mercados regionais e global, e delinear um fluxo de projetos bancáveis”, a que a se junta, por último, a “melhoria do clima de investimento” nestes países.

A ideia do Compacto foi lançada em novembro do ano passado quando o Presidente do BAD visitou Portugal, tendo sido subsequentemente desenvolvida em março, durante uma deslocação da secretária de Estado portuguesa a Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim e que é a sede do BAD.

A reunião dos governadores do BAD decorre esta semana na Coreia do Sul e tem como tema oficial ‘Acelerando a Industrialização de África’, e decorre num contexto de crescimento fraco no continente e de dívida pública excessiva.

Os Encontros Anuais são uma das maiores reuniões económicas sobre o continente africano, juntando chefes de Estado, acionistas de referência no setor público e privado, governadores dos 80 bancos centrais que são acionistas do BAD e académicos e parceiros para o desenvolvimento.

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