Arquitetura

Souto Moura distinguido com Leão de Ouro na Bienal de Arquitetura de Veneza

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Arquiteto português Eduardo Souto Moura ganhou Leão de Ouro na Bienal de Veneza pela obra de recuperação da herdade de São Lourenço do Barrocal.

Nelson Garrido

O arquiteto português Eduardo Souto Moura recebeu este sábado o Leão de Ouro, a distinção máxima da Bienal de Arquitetura de Veneza, “pela precisão do emparelhamento de duas fotografias aéreas, que revela a relação essencial entre arquitetura, tempo e lugar”, revelou a organização no Twitter. A 16.ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza abriu este sábado ao público, na cidade italiana, com a participação de Portugal através da exposição “Public Without Rethoric”.

O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já congratularam o arquiteto português pela distinção recebida em Veneza. O Leão de Ouro é um dos prémios de arquitetura mais importantes do mundo.

Irreverente, Souto Moura não mostrou instalações nem recorreu a meios audiovisuais sofisticados, antes preferiu mostrar duas grandes imagens aéreas do local, uma antes e outra depois da intervenção. Para o arquitecto, que já reagiu à distinção, o prémio é o reconhecimento do valor e nível da arquitetura portuguesa.

O local, São Lourenço do Barrosal, é uma herdade num monte alentejano. Bem, é mais do que isso. E sempre foi. Tinha capela própria, padaria, praça de touros, vinhas, campos de cereais, casas, oficinas, cavalariças, carpintaria e escola. No fundo era como uma pequena aldeia onde viviam mais de 50 famílias até ser nacionalizada após o 25 de abril. Mais tarde, o espaço viria a ser recuperado com a intervenção de Souto Moura, privilegiando a traça e os materiais originais. A propriedade, que há 200 anos pertence à mesma família, tem agora um hotel, um restaurante, um spa, mas também vinhas, olivais e hortas. Recebe eventos, promove atividades e produz vinho.

O certame dedicado à arquitetura recebe 65 participações nacionais, divididas entre os pavilhões históricos do Giardini, do Arsenale e do centro histórico de Veneza. As curadoras da Bienal da Arquitetura de Veneza, Yvonne Farrell e Shelley McNamara, do Grafton Architects, convidaram uma centena de arquitetos para a exposição principal, espaço expositivo além dos pavilhões nacionais.

Doze edifícios públicos criados por arquitetos portugueses de várias gerações, nos últimos dez anos, e filmes de quatro artistas constituem a representação de Portugal na Bienal de Arquitetura de Veneza, intitulada “Public Without Rethoric”.

O projeto, apresentado em abril último pelos curadores, Nuno Brandão Costa e Sérgio Mah, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, está instalado no Palazzo Giustinian Lolin, sede da Fundação Ugo e Olga Levi, junto ao Grande Canal, em Veneza, entidade com a qual a Direção-Geral das Artes, organizadora da representação portuguesa, assinou um protocolo de utilização para este ano.

André Cepeda, Catarina Mourão, Nuno Cera e Salomé Lamas foram os quatro artistas convidados a criar filmes sobre os edifícios selecionados.

Os 12 edifícios de arquitetos portugueses incluídos na exposição dividem-se pelo país e pelo estrangeiro, com três localizados nos Açores: Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande (João Mendes Ribeiro e Menos é Mais — Cristina Guedes e Francisco Vieira de Campos), Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo (Inês Lobo) e Centro de Visitantes da Gruta das Torres, no Pico (SAMI — Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira).

De Lisboa estão incluídos na lista o Teatro Thalia (Gonçalo Byrne e Barbas Lopes Arquitetos, Diogo Seixas Lopes e Patrícia Barbas) e o Terminal de Cruzeiros (João Luís Carrilho da Graça).

Do Porto, são vários os edifícios que vão constar da representação portuguesa: I3S – Instituto de Inovação e Investigação em Saúde (Serôdio Furtado Associados – Isabel Furtado e João Pedro Serôdio), Molhes do Douro (Carlos Prata), Pavilhões Expositivos Temporários, “Incerteza Viva: Uma exposição a partir da 32.ª Bienal de São Paulo”, Parque de Serralves (depA – Carlos Azevedo, João Crisóstomo e Luís Sobral, Diogo Aguiar Studio, FAHR 021.3 – Filipa Fróis Almeida e Hugo Reis, Fala Atelier – Ana Luísa Soares, Filipe Magalhães e Ahmed Belkhodja e Ottotto, Teresa Otto).

A lista de obras selecionadas inclui ainda o Hangar Centro Náutico, em Montemor-o-Velho (Miguel Figueira), e o Parque Urbano de Albarquel, em Setúbal (Ricardo Bak Gordon).

Fora de Portugal encontram-se o Centro de Criação Contemporânea Olivier Debré, em Tours, França (Aires Mateus e Associados – Manuel e Francisco Aires Mateus), e a Estação de Metro Município, em Nápoles, Itália (Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto Moura e Tiago Figueiredo).

A 16.ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza estará patente ao público até ao dia 25 de novembro.

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