Fernando Medina não tira a ambição do caminho, mas diz que o pós-costismo não é a “questão do presente nem dos próximos anos”. No entanto, neste congresso já se vê o pedronunismo aparecer. E o Medinismo? O presidente da Câmara de Lisboa ri-se, perante a pergunta do Observador, diz que não quer “entrar nessa criação”, mas não nega o caminho, recorre antes ao economista John Maynard Keynes e à tese de resolver no curto prazo porque… “bom, no longo prazo estaremos todos mortos”.

Uma fuga em frente numa altura que outra frente para o futuro já se vai colocando neste congresso, representada pelos seguidores de Pedro Nuno Santos no PS. Uma ala mais à esquerda no partido que Medina vê como “perfeitamente natural”. “Pedro Nuno fez uma boa intervenção no congresso, como já nos habituou. É um bom quadro do partido e acho que este é o congresso de António Costa, em que o PS se vai organizar para um ciclo eleitoral longo e a minha vontade e que António Costa continue como secretário-geral do PS por muitos e bons anos”. Mas a discussão ideológica que o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares alimentou nos últimos meses e trouxe ao palco do congresso é vista como desnecessária: “O PS não tem nenhuma crise identitária, eu muito menos” e “não faz sentido o debate de um milímetro mais à esquerda ou três milímetros mais à direita”.

“Acho que é muito mais importante para os portugueses ouvirem que propostas o PS tem para resolver problemas que enfrentam”, respondeu o socialista quando questionado sobre a pertinência da discussão ideológica. “O PS não se pode ficar pela discussão retórica”, acrescentou em entrevista ao Observador. Mas também não tem de dizer já qual o parceiro político preferencial para futuras alianças ou pedir uma maioria absoluta: “Deve apresentar uma proposta política”.

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