Uma delegação norte-americana viajou até à Coreia do Norte para preparar o encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un. De acordo com o The Washington Post, Sung Kim, ex-embaixador norte-americano na Coreia do Sul, foi chamado do seu posto de diplomata nas Filipinas para dirigir as negociações. A acompanhá-lo está Allison Hooker, especialista em segurança, e um oficial do Departamento da Defesa, que o jornal não conseguiu identificar.

Sung Kim atravessou este domingo a fronteira entre as duas Coreias na companhia de Choe Son Hui, vice-ministro norte-coreano dos Negócios Estrangeiros que, na semana passada, admitiu que Pyongyang estava a “reconsiderar” retomar as negociações com os Estados Unidos da América. Como lembra o The Washington Post, Kim e Hui são velhos conhecidos, uma vez que integraram as delegações que negociaram o acordo de desnuclerização de 2005.

Até terça-feira, os norte-americanos vão reunir-se com membros do governo da Coreia do Norte em Panmunjom, uma localidade fronteiriça onde o armistício que pôs fim à Guerra da Coreia foi assinado em 1953. Foi aí que, neste sábado, se reuniram os dois líderes coreanos, Moon Jae-in e Kim Jong-un. Em conferência de imprensa este domingo, Moon revelou que a realização de uma cimeira com os Estados Unidos esteve em cima da mesa e que Kim “tem intenções sérias sobre a completa desnuclearização da península coreana”.

Coreia do Sul propõe cimeira com Washington e Pyongyang para pôr fim à guerra

Donald Trump anunciou, na quinta-feira, o cancelamento da cimeira com a Coreia do Norte, agendada para 12 de junho. Numa carta enviada a Kim Jong-un, divulgada pela Casa Branca, o presidente norte-americano disse que não sentia ser apropriado a realização de um encontro “nesta altura” por causa da “raiva tremenda e aberta hostilidade demonstradas no mais recente comunicado” do seu homólogo norte-coreano. No dia seguinte, contudo, revelou que as conversações continuavam e que “toda a gente faz jogos”. “Vamos ver o que acontece”, disse.

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Donald Trump confirma

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou este domingo que a delegação norte-americana está em Pyongyang para preparar a cimeira histórica com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Donald Trump afirmou na sua página na rede social Twitter que “a delegação norte-americana chegou à Coreia do Norte para os preparativos da cimeira” de 12 de junho, em Singapura, cancelada pelo chefe de Estado norte-americano na quinta-feira.

No mesmo dia em que a Coreia do Norte sofreu severas sanções económicas internacionais, o Presidente dos Estados Unidos revelou acreditar que o país da península coreana “tem um brilhante potencial e será um dia uma grande nação económica e financeira”.

“Kim Jong-un estará de acordo comigo. Isso vai acontecer”, escreveu Donald Trump, que, no sábado, tinha afirmado que as negociações sobre a cimeira com o líder norte-coreano estão “a correr bem” e garantiu que a sua Administração está a trabalhar para que o encontro se realize em 12 de junho.

“Há muita gente a trabalhar nisso e está a avançar. Estamos a apontar para 12 de junho em Singapura e isso não mudou”, afirmou Donald Trump aos jornalistas presentes na receção ao preso norte-americano libertado pela Venezuela, Joshua Holt.

Donald Trump decidiu na quinta-feira cancelar a cimeira devido a comentários “hostis” da Coreia do Norte contra a Administração norte-americana, que incluíram um comunicado com insultos ao vice-presidente Mike Pence e com a ameaça de “confrontação nuclear” caso não houvesse encontro.

Já na sexta-feira, Trump afirmou que os Estados Unidos estavam “a conversar” com a Coreia do Norte e declarou que “toda a gente faz jogos”.

“Vamos ver o que acontece, é possível que possa ser a 12 de junho”, respondeu então Trump aos jornalistas, na Casa Branca, quando questionado sobre a cimeira, acrescentando: “Eles querem muito, nós gostaríamos de fazer!”

No sábado, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, e o líder do Norte, Kim Jong-un, reuniram-se, de surpresa e em segredo, para tratar da realização da cimeira entre o dirigente norte-coreano e o presidente norte-americano, Donald Trump.

(Artigo atualizado às 23h27 com a confirmação de Trump)