Liga dos Campeões

Fisco, promessas, cláusulas por objetivos, Neymar e Messi: o que pode levar Ronaldo a sair?

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Ronaldo não teve a influência do costume nas quatro linhas mas nem por isso deixa de ser falado fora delas: após a bomba em Kiev, há cinco grandes razões para o desconforto assumido após a Champions.

Cristiano Ronaldo ganhou a sua quinta Champions na carreira, a quarta pelo Real Madrid nos últimos cinco anos

Getty Images

Percebe-se com relativa facilidade que as declarações de Cristiano Ronaldo depois da final da Liga dos Campeões, em que o Real Madrid ganhou o terceiro troféu consecutivo e o quarto em cinco anos diante do Liverpool, passaram tudo menos despercebidas em variados quadrantes. Mas há uma ideia com a qual todos concordam: tal como referiu no relvado de Kiev, não fala muitas vezes mas, quando fala, fala mesmo. E já antes do jogo tinha sido assim.

Nas entrevistas que foram sendo preparadas para saírem na antecâmara do encontro com os ingleses, o português de 33 anos, que procurava (e conseguiu) o seu quinto troféu europeu de clubes, explicou o porquê de estar tão solto no final da temporada (recordando não só o “treino invisível” mas também a melhor gestão de partidas disputadas ao longo da temporada e a baixa percentagem de massa gorda, a rondar os 7%, que potenciam a sua velocidade) e revelou também que, após terminar a carreira, aos 41 anos, gostava de ser ator. “Sei que aos 42 anos e não tendo estudado para isso não serei protagonista, mas posso fazer outros papéis. Tenho alguns conhecimentos pelos trabalhos publicitários que fui fazendo”, disse no programa El Chiringuito de Jugones da La Sexta.

Enquanto esse momento da “reforma” não chega, o avançado continua a ser protagonista principal e bastou uma frase para deixar o mundo futebolístico em alerta: “Gostei muito de jogar em Madrid”. Houve muitas outras, mais diretas ainda no relvado, mais ponderadas na zona mista. E houve reações, sobretudo a de Florentino Pérez, líder dos merengues, que sublinhou que “o mais importante é o clube”. “Hoje é uma festa de todo o madridismo e não estou para falar de um jogador em particular”, acrescentou depois, no reforço da ideia inicial. Este domingo, está a ser um dia de “reflexão”: o que pode motivar o madeirense a deixar o Real quase uma década depois?

1) De acordo com muitos órgãos em Espanha, Florentino Pérez terá prometido a Cristiano Ronaldo a renovação de contrato com revisão dos valores salariais após a final de Cardiff, que o Real Madrid venceu frente à Juventus por 4-1 com dois golos do português. Ainda assim, e segundo a Marca, o facto de lançar a questão logo após o triunfo diante do Liverpool acabou por cair mal não só à estrutura diretiva mas também entre os próprios companheiros, que lhe terão chamado à atenção logo no balneário (daí a postura mais “suave” na zona mista). Mais: o jornal diz ainda que, entre os adeptos presentes no aeroporto de Kiev que por ali acabaram por ficar em virtude do caos que se viveu durante horas, havia essa ideia de estar a ser feita uma espécie de chantagem para receber mais dinheiro. A resposta de Florentino Pérez disse muito em relação ao que pensa sobre o tema. E o número 7 ripostou. “Se falo com ele? Não tenho que falar, cumprimento-o e falo como profissional que sou”, destacou, citado pelo El Mundo.

2) O jornal As, que recorda as situações em que Cristiano Ronaldo já tinha esticado a corda no clube (no final da época de 2012 e no Verão do ano passado), revela que nos últimos tempos têm existido conversas entre o diretor geral do Real Madrid, José Ángel Sánchez, e o empresário do madeirense, Jorge Mendes. Incluindo uma proposta para rever o contrato do jogador, que passava pelo incremento das cláusulas por objetivos, algo que o número 7 terá não só recusado como até levado a mal, tendo em conta o rendimento constante que alcançou desde 2009 no conjunto espanhol. Os momentos diferentes da temporada também terão sido levados em conta: da parte do clube, a fase menos conseguida de Ronaldo após as conquistas da Supertaça Europeia (com o Manchester United) e de Espanha (a dois jogos com o Barcelona), que coincidiu com um castigo de quatro encontros após ter sido expulso em Camp Nou; da parte do atleta, a fase em ascensão desde o início do ano que lhe permitiu chegar aos 44 golos.

3) O La Vanguardia ou o Mundo Deportivo trazem à tona um argumento que já tinha sido amplamente dissecado no início da temporada: os problemas de Ronaldo com o Fisco. Se recuarmos ao último Verão, em que se falou e especulou muito sobre uma possível saída do português, era notório o desconforto do jogador por considerar que o Real Madrid não lhe estaria a dar o apoio suficiente nesta questão até Florentino Pérez sair publicamente em sua defesa numa entrevista. Agora, as publicações referem que a estrutura merengue acredita que todos esses desabafos podem estar relacionados ainda com as questões com o Fisco e com o pagamento de mais de 25 milhões de euros.

4) Se recuarmos a novembro de 2017, Josep Maria Bartomeu conseguiu resolver mais um “problema”, talvez o maior que teve no momento mais conturbado no Barcelona (e, de forma paralela, na Catalunha), e renovou com Leo Messi até a 2021. Logo aí, e depois de terem sido divulgados os valores em causa pelo El Mundo, este “jogo do empurra” mudou as regras porque, já depois de Neymar ter assinado um contrato muito acima de Ronaldo pelo PSG, também os blaugrana não olharam a meios e subiram o vencimento do argentino para os quase 50 milhões de euros líquidos por temporada, como refere a Marca, bem mais do que Ronaldo. Mais tarde, no início do ano, saíram também notícias de que teriam sido os catalães a liquidarem os valores com que o número 10 fechou o acordo com o Fisco espanhol. Perante este cenário, tendo como comparação os mais diretos “rivais” pela Bola de Ouro, o português ter-se-á sentido ultrapassado sem que o Real Madrid mostrasse muita vontade de alterar esse cenário.

5) Os últimos meses trouxeram vários indícios sobre um possível interesse do Real Madrid em Neymar. Desde as declarações enigmáticas do brasileiro aos encontros do pai e representante com advogados e outras pessoas ligadas ao futebol, a ideia foi ganhando peso. Pode até nem confirmar-se, mas sobra a garantia que os merengues estarão à procura de uma nova referência na equipa, que junte não só a qualidade desportiva mas também o potencial em termos de merchandising e publicidade. Esse é outro dos pontos referidos na imprensa espanhola, nomeadamente pelo El Confidencial, que tentam explicar a reação de Ronaldo em Kiev, quase como se estivesse a sentir ultrapassado num protagonismo que foi seu durante quase uma década. Em caso de saída, soluções para o futuro? Duas: Manchester United e PSG. Com a nuance do jogador ter contrato com o Real até 2021 com uma cláusula de mil milhões de euros, o que faz com que Florentino tenha sempre a palavra final nesse dossier.

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