O secretário-geral do PCP criticou o PS por se assumir, no decorrer do seu congresso, como um partido de esquerda, mas que “junta os trapinhos” com o PSD e CDS em relação às políticas laborais. “Ouvimos o congresso do PS neste fim de semana, ali foram feitas declarações isoladas de serem socialistas, de serem de esquerda. Mas a questão que nós pomos é que, por exemplo, em relação aos direitos dos trabalhadores, é ou não uma zona de fronteira entre a esquerda e a direita”, questionou Jerónimo de Sousa.

Jerónimo, que falava após um almoço convívio com simpatizantes e militantes do PCP, em Casa Branca, no concelho de Sousel (Portalegre), questionou a forma como os socialistas fazem “proclamações convictas” e “cheias de força” ao se afirmarem de esquerda, para depois associarem-se à direita para “derrotar” o que está consagrado na Constituição. “Uma Constituição que diz que não é possível despedimentos sem justa causa, que o tratamento mais favorável deve ser dado ao trabalhador, que o direito de contratação coletiva é um direito inalienável dos trabalhadores, e depois junta (PS) os trapinhos com o PSD e o CDS para derrotar aquilo que deveria ser consagrado na lei destes direitos fundamentais”, disse.

O líder dos comunistas criticou ainda o Governo quanto à sua posição no combate à precariedade na Administração Pública, lamentando que “vai adiando e bloqueando” soluções nesta área. “Não segue no bom caminho o PS e o seu Governo quando procura a solução para os problemas dos trabalhadores, do povo e do país com o PSD e CDS, em vez de romper com as políticas do passado de exploração e empobrecimento do povo e de afundamento do país”, lamentou. “Como não segue um bom caminho, o PS quando continua a promover e desenvolver o alargamento dessa convergência a outros importantes domínios da vida nacional”, acrescentou.

A aprovação do Orçamento do Estado (OE) também mereceu um “olhar” do secretário-geral do PCP que levantou algumas dúvidas sobre esta matéria. “Como se não bastasse, vimos nestes últimos tempos o Presidente da República e o primeiro-ministro, cada um à sua maneira, a colocar a perspetiva da inevitabilidade de haver um orçamento aprovado ou eleições antecipadas, sem se questionar saber do seu conteúdo. Ou seja, segundo eles, venha o que vier, é para assinar de olhos fechados se não temos eleições antecipadas”, disse. Perante esta “inevitabilidade”, Jerónimo de Sousa questiona se seria o Presidente da República a “demitir” o Governo ou se seria o Governo a “demitir-se” das suas funções.