Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Bilhete pagaram-no 17.220 pagadores (o pleonasmo é de propósito; não se está num estádio como num velório, em silêncio sepulcral; ou se é adepto, e desfruta, ou se é só pagador de bilhete e não) na “Pedreira”. Entre 15 e 25 euros. Foi dinheiro mal investido. A exibição da Seleção não encantou. Mas há muito que não encanta, verdade seja dita. A defesa não está bem coreografada (Rúben Dias não encaixou com Pepe e vice-versa, e ambos ficam muitas vezes no vai-não-vai à espera que o outro vá sem nunca ir; Ricardo está a mostrar o pulmão que Raphaël está longe de ter ainda) e o meio-campo, sobretudo William, acusa algum desgaste físico neste momento, talvez pela carga de treinos da última semana, talvez por este ser um amigável e a ser certos médios o lugar no onze ser certo. Por aqui o bilhete foi caro.

Mostrar Esconder

PORTUGAL-TUNÍSIA (2-2)

Estádio Municipal de Braga

Árbitro: Luca Banti (ITA)

Portugal: Anthony Lopes; Ricardo Pereira (Cédric Soares, 72′), Pepe (José Fonte, 62′), Rúben Dias e Raphaël Guerreiro (Mário Rui, 46′); William Carvalho, Adrien Silva (Manuel Fernandes, 62′) e João Mário (João Moutinho, 80′); Bernardo Silva (Gonçalo Guedes, 72′), Ricardo Quaresma e André Silva

Suplentes não utilizados: Beto e Bruno Alves

Treinador: Fernando Santos

Tunísia: Mouez Hassen; Yassine Meriah, Yohan Benalouane, Oussama Haddadi (Ali Maâloul, 46′) e Hamdi Nagguez; Ellyes Skhiri, Saif-Eddine Khaoui ( Fakhreddine Ben Youssef, 46′) e Ferjani Sassi; Anice Badri (Ahmed Akaïchi, 87′), Saber Khalifa (Ghailene Chaalali, 67′) e Naim Sliti (Bassem Srarfi, 76′)

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Suplentes não utilizados: Farouk Ben Mustapha, Aymen Balbouli, Rami Bedoui, Bilel Mohsni, Syam Ben Youssef e Ahmed Khalil

Treinador: Nabil Maaloul

Golos: André Silva (22′), João Mário (34′), Badri (39′) e Ben Youssef (65′)

Ação disciplinar: Nada a registar

Mas valeu só pelo “bilhete” de João Mário, outro tipo de bilhete: na gíria do futebolês é aquele remate sem defesa, fortíssimo, a entrar na gaveta da baliza. Foi ao minuto 34. Mas naquele instante já Portugal triunfava 1-0. Ao minuto 22, Quaresma, à direita, ultrapassa Yassine Meriah e cruza longo, André Silva salta ao segundo poste, Ellyes Skhiri não, e o avançado do AC Milan desviaria para o primeiro da noite em Braga. É o 12.º golo de André pela Seleção depois de uma “seca” que perdurou desde outubro passado. E é milésimo de Portugal desde que a Seleção é Seleção.

Vamos lá então ao golo de João. Ao “bilhete”. Canto à direita, Bernardo Silva bateu-o e a defesa tunisina cortou. Mas cortou para a entrada da grande área. João Mário amorteceu, encheu o pé e, sem que a bola tocasse o relvado, rematou. Nem com um par de asinhas Mouez Hassen defendia. Ele bem se esticou, em vão. É ver…

GOLO!

GOLO!!!!!!!!!João Mário, com um remate fora da área, faz o segundo golo da noite.Dia 7 de Junho vem apoiar Portugal frente à Argélia em Lisboa, antes da partida da Seleção para a Rússia! Últimos bilhetes: https://goo.gl/ABn4Nz

Posted by Seleções de Portugal on Monday, May 28, 2018

Os remates começaram a escassear. Valia-nos, Portugal, que Bernardo e Quaresma faziam uma habilidade aqui, outra acolá, sempre sem seguimento. E a Tunísia, que mal atacava, reduziu. Começou a insistir pela esquerda, chegou ao meio (já na entrada da grande área) e no meio insiste também, avança, depois Naim Sliti abre à esquerda em Anice Badri e Badri, isolado, rematou como quis, para onde quis. Anthony Lopes nada podia fazer.

Veio a segunda parte e da segunda parte, lenta, a roçar o horrível, pouco há o que dizer. Apenas que ainda mais lenta se tornaria com tantas trocas (o que não faz sentido nenhum: como vai uma Seleção preparar-se para o que quer que seja se o ritmo desce a níveis que nem num treino se veem?!) de parte a parte. E que não houve “bilhete” de ninguém. Mas ao minuto 55, Bernardo, em modo destruidor de rins tunisinos, ultrapassou defesa atrás de defesa, um atrás do outro, rematou e acertaria no poste esquerdo. A bola sobra para João Mário e o médio demorou tanto, tanto mas tanto, que permitiu, quando finalmente rematou, a defesa a Mouez Hassen.

Depois, ao minuto 65 chegou o empate: Saber Khalifa cruza à esquerda, Rúben encolheu-se esperando que o cruzamento saísse pela linha de fundo ou Lopes segurasse a bola, não sairia nem Lopes segura, e Fakhreddine Ben Youssef surge nas costas do central a desviar à boca da baliza.

O que já era mau, pior fica. E o árbitro italiano Luca Banti terminou com o encontro segundos antes do minuto 90, não compensando todas aquelas substituições em barda. Foi um favor que fez a todos. Grazie!