O Centro Cultural de Belém (CCB) celebra, em 2018, 25 anos de existência. As iniciativas levadas a cabo para assinalar a data têm sido várias e, de acordo com a programação da nova temporada, anunciada esta terça-feira, irão extender-se até 2019. É aliás, no decorrer do próximo ano, que será concluído o projeto arquitorial inicial, revelou o presidente do organismo, Elísio Summavielle.

O CCB abriu portas a 21 de março de 1993, mas os trabalhos de conclusão do complexo — da responsabilidade dos arquitetos Vittorio Gregotti e Manuel Salgado — só serão iniciados em 2019 com a construção dos módulos quatro e cinco, a zona poente, onde se instalará um hotel e uma galeria comercial. De acordo com Elísio Summavielle, foi “finalmente” regularizado o registo predial dos terrenos, depois de um “longo e penoso processo”. “O contrato deve ser fechado no próximo ano”, adiantou o presidente, que acalenta esperanças de obter para o CCB “uma receita simpática que lhe garanta mais sustentabilidade e mais ambição na sua missão estatutária”.

Entretanto, como salientou Isabel Cordeiro, do conselho de administração, “são 25 anos que se fazem sentir e que implicam uma contínua e clara aposta na conservação e requalificação do edifício e dos equipamentos”. Neste sentido, será realizada “uma intervenção futura na Sala Almada Negreiros, que verá a sua capacidade aumentada e melhoradas as condições para a realização de congressos internacionais”. Também a Sala Ribeiro da Fonte, junto ao Jardim das Oliveiras, será alvo de uma “obra de renovação”. Já a Sala Vitorino Nemésio foi recentemente ampliada. Nos dois auditórios que foram alvo de obras de beneficiação em 2016 e 2017, serão substituídos, de forma gradual, alguns equipamentos, adiantou ainda a mesma responsável.

Os 25 anos do CCB serão também assinalados com iniciativas variadas, incorporadas no programa da nova temporada, que incluem uma exposição alusiva e um open day, a 21 de março de 2019. No que diz respeito à mostra — que será instalada no exterior do edifício –, esta irá apresentar 25 fotografias, que documentam diversas fases da sua construção, e um vídeo de 25 minutos, que conta a sua história do CCB, a primeira obra da democracia portuguesa, destinada a um usufruto livre e plural da cultura”, salientou Isabel Cordeiro durante a apresentação desta terça-feira.

Elísio Summavielle destacou a cimeira de jazz europeia, que acontecerá de 13 a 18 de setembro deste ano, e a programação Belém Cinema, que irá apresentar filmes clássicos em ecrã gigante, à semelhança do que foi feito muito recentemente no CCB. Foi “uma aposta ganha”, disse o presidente, referindo-se também aos ciclos Entrevista de Vida, com Anabela Mota Ribeiro, e a 2084, imagine, com Graça Castanheira. Summavielle sublinhou ainda o “equilíbrio financeiro” da instituição, “duramente reconquistado, nestes dois anos”.

Está também previsto a edição de um livro sobre o CCB. Coordenado pelo arquiteto Nuno Grande, o lançamento contou com a colaboração do arquiteto paisagista João Gomes da Silva, do artista António Campos Rosado, da ilustradora Ana Aragão e dos fotógrafos Daniel Malhão e Miguel Vale Figueiredo. Este último “acompanhou dia e noite, o desenvolvimento da obra”, referiu Isabel Cordeiro. Durante a nova temporada, será ainda lançada “uma linha exclusiva de peças de autor, de edição limitada”, da autoria de Fernanda Fragateiro, Ricardo Bak Gordon e Ricardo Preto, disse ainda a responsável.