A tensão continua a crescer na política italiana, depois de o presidente italiano Sergio Mattarella ter anunciado a sua recusa em indigitar o governo idealizado por Giuseppe Conte. O executivo que Conte, que é apoiado pelo Movimento 5 Estrelas (ou M5S) e pelo partido La Liga, propôs ao presidente italiano, incluía o eurocético Paolo Savona no Ministério da Economia.

A decisão de Mattarella de nomear um governo de gestão, face ao receio que o próximo governo estaria a causar aos investidores, já foi alvo de críticas do líder do M5S, Luigi Di Maio, que convocou protestos em várias cidades do país e agendou uma grande manifestação na Praça Bocca della Verità em Roma para 2 de junho, Dia da República. “Convido todos a virem a Roma”, apelou Di Maio aos descontentes. “Temos de estar lá todos para dizer que o nosso voto importa”. A revolta popular que Di Maio incita já tem slogan e hashtag oficial: #omeuvotoconta.

O líder do Movimento 5 Estrelas, que quer ver bandeiras italianas nas janelas dos eleitores, apresentou a sua versão sobre o que motivou o chumbo do executivo de Conte e posterior nomeação de um governo de gestão. Para Luigi di Maio, a justificação de que o veto ao executivo aconteceu devido à inclusão de Paolo Savona entre os ministros não é válida, já que terão sido propostos ao presidente italiano “outros nomes” para o Ministério da Economia. Entre eles estariam o de Alberto Bagnai e Armando Siri, membros do partido italiana de extrema-direita La Liga. Em comunicado, a Presidência negou que as alternativas tenham sido apresentadas.

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Apresentámos alternativas como Bagnai e Siri, ambos do partido A Liga, mas não foram bem recebidas porque são pessoas que expressaram posições críticas sobre a União Europeia. Porque é que não dizemos que neste país o voto não interessa, que são as agências de rating e os lobbies financeiros que decidem quem governa?”, sugeriu Di Maio.

Dizendo ser “vergonhoso” que o presidente italiano não viabilize um governo com apoio maioritário no parlamento, Di Maio afirmou querer que as próximas eleições aconteçam “tão rápido quanto possível, talvez já em agosto”. Isto porque “numa democracia, se é que ainda vivemos em democracia, só há uma coisa a fazer: deixar os italianos pronunciarem-se”. Di Maio reforçou os ataques ao presidente, chegando a dizer que deseja que as próximas eleições aconteçam já com o sucessor de Mattarella no palácio Quirinale.