Venezuela

Nicolás Maduro acusa União Europeia de ingerência interna

Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, condenou hoje a adoção, pela União Europeia, de novas sanções contra o país e acusou a instituição de querer "meter o nariz" nos assuntos internos do seu país.

Cristian Hernandez/EPA

O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, condenou hoje a adoção, pela União Europeia (UE), de novas sanções contra a Venezuela e acusou a instituição de querer “meter o nariz” nos assuntos internos do seu país. “Aí vemos um comunicado dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que de maneira insolente pretende meter o nariz na vida interna da República bolivariana da Venezuela e repetem mentiras insolentes”, disse.

Nicolás Maduro falava durante um conselho federal de Governo, transmitido pela televisão estatal venezuelana. Segundo o Presidente da Venezuela, a partir da Europa olham para os venezuelanos “por cima do ombro”, mas “a Venezuela não é colónia de ninguém”.

“A Venezuela deve dizer: fora daqui a União Europeia. Já chega de intromissão”, frisou, insistindo que a Venezuela é um país democrático, que nos últimos 19 anos realizou 24 eleições, quatro delas em nove meses. Por outro lado, num comunicado divulgado pelo Ministério de Relações Exteriores da Venezuela, o Governo “condena energicamente” a posição da UE sobre as eleições presidenciais de 20 de maio último.

“A UE confirma a sua atitude de ingerência e hostil (…) resultado da evidente subordinação à errática política externa da administração de Donald Trump (Presidente dos EUA) para a Venezuela”, considerou. Segundo o documento, “nenhuma instância da UE, assim como nenhum dos seus Governos integrantes, conta com competência legal alguma, nem muito menos com acervo moral demonstrável, para questionar as decisões que o povo venezuelano toma no livre exercício da sua democracia”.

“As instituições europeias deveriam concentrar os seus esforços em atender e resolver os inúmeros e graves problemas e conflitos sociais, políticos, migratórios e económicos, de que se queixam diretamente os povos europeus, e para os quais não se vislumbram soluções viáveis e aceitáveis”, explica.

No comunicado, o executivo venezuelano disse que “sempre procurará manter relações de respeito mútuo e cooperação integral com a UE e os seus Estados-membros”, mas que “jamais aceitará intromissões provenientes de potência estrangeira alguma”, uma vez que o destino do país está “exclusivamente nas mãos dos venezuelanos”.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) aprovaram na segunda-feira em Bruxelas a adoção de novas sanções contra a Venezuela, na sequência de umas eleições presidenciais que não consideram “nem justas, nem livres”.

“A UE atuará com rapidez, de acordo com os procedimentos estabelecidos, com o objetivo de impor novas medidas restritivas, dirigidas e reversíveis, que não prejudiquem a população venezuelana, cuja difícil situação a UE deseja aliviar”, sublinhou a declaração conjunta dos chefes da diplomacia do bloco comunitário.

Em 20 de maio, Nicolas Maduro venceu as eleições presidenciais antecipadas na Venezuela, com 68% dos votos, muito à frente dos seus concorrentes, mas com 54% de abstenção. A oposição boicotou a votação e denunciou a existência de fraude no escrutínio.

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