A bolsa nova-iorquina encerrou esta terça-feira em baixa, com os investidores preocupados com a crise política em Itália, que atingiu em pleno o setor bancário, ao fazer descer as taxas de juro nos EUA.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o Dow Jones Industrial Average cedeu 1,58%, para os 24.361,45 pontos, depois de ter chegado a cair mais de 2% durante a sessão.

O Nasdaq recuou 0,50%, para as 7.396,59 unidades, e o S&P500 perdeu 1,16%, para os 2.689,86 pontos.

Esta descida foi liderada pelo setor bancário, cujo subíndice que os agrupa no S&P500 perdeu hoje 3,37%. O Morgan Stanley e o JPMorgan Chase recuaram mesmo 5,75% e 4,27%, respetivamente.

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“Os investidores norte-americanos não receiam um contágio da crise em Itália, mas temem os efeitos da debandada para os valores considerados seguros”, estimou Art Hogan, de Wunderlich Securities.

A terceira economia da zona euro mergulhou na incerteza, na expectativa da formação de um Governo pelo economista Carlo Cottarelli, que os partidos populistas já anunciaram querer rejeitar para devolver a palavra aos italianos, o mais depressa possível.

Assustados, os investidores desviaram-se massivamente da dívida do país, bem como da dos seus vizinhos espanhóis, portugueses e gregos, para se deslocarem para valores refúgio como as dívidas alemã e dos EUA.

Em resultado, e como sinal do interesse acrescido, a taxa de juro das obrigações do Tesouro norte-americano a 10 anos caiu hoje mais de 5%. Às 21:15 de Lisboa, evoluía em 2,782%.

“Quando o recuo dos ’10 anos’ se acentuou durante a sessão, arrastaram os valores financeiros”, com estes últimos a verem as suas margens de lucro descer com a baixa das taxas de juro, destacou Hogan.

Por seu lado, Matt Miskin, estratega de investimento na John Hancock Financial Services, avisou que “se os receios de incumprimento dominarem o mercado, os bancos estarão na primeira linha”.

O Governo de Espanha, por seu lado, enfrenta uma moção de censura, apresentada pelos socialistas, que vai ser debatida na quinta e na sexta-feira. “Isto não parece representar em si uma grande ameaça, mas não aumenta a estabilidade”, observou Karl Haeling, da LBBW.

Estas turbulências europeias alimentam um pouco mais, segundo este operador, o nervosismo dos investidores, perante o acumular de situações que podem degenerar a todo o instante, sejam as relações comerciais dos EUA com os seus principais parceiros, sejam as evoluções diplomáticas em torno da Coreia do Norte ou os problemas crescentes que a valorização do dólar está a colocar às economias emergentes.