A contratação de meios aéreos para o combate aos incêndios deste ano fica 47% mais cara do que aquilo que o Ministério da Administração Interna (MAI) previa, escreve o semanário Expresso. No segundo concurso para a locação de helicópteros (e já depois de um primeiro concurso ter fechado sem candidatos), o valor em cima da mesa era de 15,7 milhões de euros para 2018, mas o ajuste direto fechado na semana passada acabou por custar 11,5 milhões.

É o preço a pagar por fazer o negócio tarde. A Autoridade Nacional de Proteção Civil, na dependência do MAI, terá de pagar este ano 11,5 milhões de euros pela contratação de 28 helicópteros de combate a incêndios. O contrato ficou fechado na semana passada, por ajuste direto, já em cima do arranque do 3º nível de empenhamento operacional para o combate às chamas — uma fase que iniciou a 1 de junho e na qual deveriam estar disponíveis até 40 meios aéreos.

Por esses 28 meios, a ANPC vai pagar um preço 47% mais elevado que o que estava previsto, nas contas do semanário Expresso. Para chegar a este valor, foi comparado o valor do contrato por ajuste direto com o do valor base do segundo contrato lançado para a locação dos quase 30 helicópteros. Neste caso, estavam previstos 15,7 milhões a dois anos.

Dividindo esse montante por dois, chega-se a um total de 7,85 milhões anuais, bastante inferior àquele que será, efetivamente, gasto para assegurar os meios deste ano.

Mas o MAI contesta esta leitura. Em resposta ao Expresso, o ministério de Eduardo Cabrita refere que “os valores dos contratos celebrados” por ajuste direto “são inferiores em 9,3% (menos €1,2 milhões) face às propostas mais baixas do concurso público e inferiores em 21,3% (menos €3,1 milhões) face às propostas mais altas” desse concurso. O ministério reconhece, no entanto, que, por se cingir a um “único ano”, o negócio de contratação de meios “é menos interessante em termos económicos para os operadores”.