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A China Three Gorges está disposta a entregar à EDP a gestão de operações de energia renovável fora da China, avançou esta terça-feira a agência Bloomberg. Em causa estão ativos que permitem aumentar a capacidade de produção da elétrica portuguesa em cerca de 30%, para além de geraram resultados de mil milhões de euros por ano, antes de impostos, juros e amortizações (EBITDA ou margem operacional).

Esta disponibilidade, de acordo com informação avançada pela agência Bloomberg, terá como finalidade seduzir a administração da elétrica para uma oferta pública de aquisição (OPA) com um preço que a equipa de António Mexia classificou já de demasiado baixo. Mas também quer convencer as autoridades portuguesas.

A Three Gorges irá pedir aos executivos da EDP que assumam a gestão de capacidade instalada de 8,3 gigawatts. A maioria deste potência corresponde a barragens e parques eólicos da empresa chinesa no Brasil, mas também um projeto de eólicas offshore que o grupo comprou no Mar do Norte, ao largo da costa alemã. A proposta industrial em cima da mesa, segundo a Bloomberg, permitiria também fortalecer a capacidade financeira da EDP para investir em novos projetos, reduzindo a necessidade de vender ativos para refinanciar a dívida.

A Bloomberg, que cita pessoas conhecedoras do tema, diz que o grupo chinês também já demonstrou esta disponibilidade ao Governo português com quem, diz a agência financeira, tem estado a negociar a oferta para tomar o controlo da EDP. O primeiro-ministro já sinalizou a sua abertura a esta operação. E apesar de António Costa ter afirmado que o preço da OPA é um tema para os acionistas da EDP e não para o Governo, reconheceu, em declarações no programa da SIC Notícias, Quadratura da Círculo, ter interesse em saber qual é o projeto industrial d grupo chinês para a elétrica portuguesa.

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A China Three Gorges é a maior acionista da EDP com 23,3% e pretende com esta oferta comprar ações que lhe garantam direitos de voto superiores a 50%. O primeiro-ministro já disse que não ia ativar o regime legal que permite impedir a operação ao abrigo da salvaguarda dos ativos estratégicos.

Depois do pedido de registo da OPA, efetuado na semana passada, o próximo passo é a tomada de posição da administração da EDP sobre esta oferta com uma recomendação de aceitação ou recusa aos acionistas. A elétrica sinalizou logo o mercado que o preço de 3,26 euros era muito baixo — a cotação da EDP ultrapassou logo a fasquia no primeiro dia de negociação pós OPA, tendo fechado esta terça-feira nos 3,42 euros — mas o relatório da administração terá de também de pronunciar sobre o mérito da estratégia e projeto industrial proposto pela China Three Gorges.

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