A Turquia anunciou esta quinta-feira a suspensão do acordo bilateral de devolução de migrantes com a Grécia, em protesto pela libertação de quatro soldados turcos refugiados no país vizinho acusados de “golpismo” e cuja extradição era exigida por Ancara.

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlüt Çavusoglu, anunciou a suspensão do acordo bilateral num encontro com os “media” na cidade de Antália, sul da Turquia, informou a agência noticiosa turca Anadolu.

“Temos um acordo sobre migração com a União Europeia. Esse aplica-se. Também temos um acordo com a Grécia para o reenvio [de migrantes]. Este acordo de reenvio foi agora suspenso”, disse o ministro.

Çavusoglu explicou que a medida constitui uma reação à libertação pelas autoridades helénicas de quatro dos oito militares que fugiram da Turquia para a Grécia de helicóptero durante a noite do fracassado golpe militar de julho de 2016.

A Turquia exigia a extradição dos militares para serem julgados por “golpismo”, que já implicou a prisão perpétua para centenas de acusados, mas a justiça grega rejeitou o pedido ao argumentar a não existência de garantia sobre um julgamento justo em território turco.

Um dos soldados – foram já todos libertados – obteve asilo político e prevê-se que aos restantes lhes seja atribuído em breve, decisão que motivou enérgicos protestos em Ancara e acusações a Atenas de “proteger golpistas”. “O Governo da Grécia pretende de facto solucionar este problema. Mas ao mesmo tempo vemos que existem enormes pressões do ocidente sobre a Grécia, em particular sobre o sistema judicial grego”, assegurou o chefe da diplomacia de Ancara.

“Dizem que a justiça grega é independente. Mas todos sabemos que sofrem uma grande pressão do ocidente”, insistiu o ministro, apesar de prometer “continuar a trabalhar com a Grécia” sobre esta questão.

O pacto com a União Europeia, firmado em março de 2016 e pelo qual a Turquia admite refugiados e migrantes deportados das ilhas gregas, não será abrangido por esta medida diplomática. No entanto, o acordo bilateral greco-turco permitiu o repatriamento de muito mais migrantes em comparação com o pacto assinado entre a UE e Ancara.