O ex-presidente do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, deu uma entrevista à rádio catalã RAC1 esta sexta-feira, onde deixou palavras amigáveis ao novo Presidente de Governo de Espanha, o socialista Pedro Sánchez, mas também algumas críticas às suas escolhas para ministros.

“O discurso de Pedro Sánchez soa bem”, disse. “Agora, é muito diferente o que ele disse há uns dias e o que fez no seu discurso como candidato”, acrescentou.

Carles Puigdemont falou também de uma possível reunião entre Pedro Sánchez e o atual presidente do governo regional da Catalunha, Quim Torra, depois de o Presidente de Governo ter anunciado a Catalunha como a principal prioridade para o novo executivo. “Um encontro imediato entre Torra e Sánchez é uma notícia muito boa. O nosso desejo é que revirtam tudo o que o Partido Popular fez de mal nos últimos anos”, disse.

O ex-presidente da Generalitat, que está na Alemanha, país do qual está impedido de sair com risco de ser detido, diz ainda que em tempos manteve contacto com Pedro Sánchez. “Antes de ser presidente, falava com Pedro Sánchez. É afável, amável, sbe ouvir”, disse, sublinhando que não diria o mesmo sobre Mariano Rajoy. Referiu ainda outro nome da política espanhola: o líder do Podemos, Pablo Iglesias, que foi uma das chaves para a aprovação da moção de censura que derrubou Mariano Rajoy e levou Pedro Sánchez ao poder. “Falei com Pablo Iglesias ao telefone e ele explicou-me a situação, qual era a sua opinião, e eu creio que com o tempo a estratégia do Podemos irá valorizar-se”, disse.

Ministro dos Negócios Estrangeiros é um “ultra” e “muito radical”

Ainda assim, as palavras dirigidas ao governo de Pedro Sánchez não são todas marcadas por otimismo, mesmo que moderado. As maiores críticas de Carles Puigdemont para o governo espanhol são dirigidas ao novo ministro dos Negócios Estrangeiros, Josep Borrell. A este político catalão — com um extenso currículo, tendo sido líder da oposição a Jose María Aznar e depois presidente do Parlamento Europeu — que foi uma das principais vozes socialistas a falar contra a independência da Catalunha, Carles Puigdemont não poupa críticas.

“O ministro dos Negócios Estrangeiros caracterizou-se por manter uma atitude ultra agressiva e ultra outras coisas, algo que não retificou. Mas estou disposto a entender que uma coisa é o perfil pessoal e outra coisa são as políticas que se fazem. temos de ver quais são essas políticas”, disse. Mais à frente, tornou a criticar o socialista catalão, fazendo referência à vez em que, num discurso durante a campanha para as eleições autonómicas de dezembro de 2017, disse que antes de “curar as feridas” deixadas pelo processo independentista seria preciso “desinfetá-las”.

“Digo que Josep Borrell é ultra, sim. Aquele senhor é muito radical”, sublinhou. “O senhor Borrell merece ser avaliado como ministro pelas suas ações e não pelas suas opiniões, mas isso não apaga que ele tenha querido crispar uma situação para interceder numa votação. Aludir a uma desinfeção é muito grave.”

Houve ainda tempo para falar de futebol, mais concretamente do Mundial da Rússia, onde Carles Puigdemont dedica o seu apoio aos catalães — e não necessariamente aos espanhóis. “Quero que no Mundial ganhem as equipas onde estão os meus”; disse. “Admiro muito, futebolisticamente e pessoalmente, Gerard Piqué. O selecionador belga também é catalão. Quero que corra tudo bem a todas as equipas onde houver catalães. Não quero que ninguém em particular perca. Não tenho nenhum problema que ganhe Espanha”, disse.