O Aquarius, navio que transporta mais de 600 migrantes e que navega há dias no Mediterrâneo, não tem condições para chegar à costa espanhola. O capitão, Oleksandr Kuzmichov, e o coordenador-chefe do resgate do barco, Nicola Stalla, decidiram já que, nas atuais circunstâncias, “não podemos seguir para Espanha porque isso ia colocar em risco o barco, a tripulação e as pessoas resgatadas. Esta informação já foi comunicada às autoridades espanholas que, por iniciativa do presidente do Governo, ofereceram o porto de Valência para receber o barco que o novo Governo italiano, formado por partidos nacionalistas, recusou.

O responsável de operações marítimas da ONG proprietária do navio já tinha reconhecido que a viagem para Espanha, único país que aceita recebê-lo, constitui um “desafio considerável”, em termos técnicos e humanos.

O Aquarius, que transporta 629 migrantes resgatados do Mediterrâneo em diferentes operações no sábado, foi recusado por Itália e por Malta, impasse desbloqueado com a oferta de Espanha acolher o navio em Valência (leste).

Navio com 629 migrantes vai para Espanha

Antoine Laurent, responsável para as operações marítimas da organização não-governamental SOS Mediterranée, proprietária do navio, explicou à Associated Press que chegar a Valência, a 750 milhas marítimas ou 1.400 quilómetros de distância da atual posição do navio, “não é possível com 629 pessoas a bordo”.

O navio teria de ser reabastecido no mar, “o que não é fácil de organizar”, disse, apelando “a Itália para encontrar uma solução muito em breve perto da posição” do navio, que está a 35 milhas de Itália e a 27 milhas de Malta. Por outro lado, a presença a bordo de 629 pessoas “é considerável para um navio como o Aquarius, que só tem 80 metros”, e a equipa médica a bordo é “muito reduzida”, disse o mesmo responsável à rádio FranceInfo.

Entre os migrantes a bordo “não há casos graves, mas isso pode pior muito rapidamente”, disse, referindo haver pessoas que “caíram à água e engoliram água ou sofreram queimaduras por contacto com combustível”. Entre as pessoas a bordo há, segundo a ONG, 123 menores não acompanhados, 11 bebés e sete grávidas.

O Aquarius “aguarda instruções” das autoridades italianas, disse, contrariando uma afirmação feita horas antes pelo ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, de que o navio já estava a caminho de Espanha. “Esperamos que isto se resolva o mais rapidamente possível. De qualquer maneira é uma obrigação de Itália encontrar uma solução rapidamente”, disse Laurent.

Em Espanha, que se ofereceu para acolher os migrantes para “evitar uma tragédia humanitária”, as autoridades estimam que o navio demore quatro dias a fazer o percurso que o separa de Valência.

As autoridades locais convocaram para terça-feira uma reunião com representantes do governo regional e da autoridade portuária para preparar a assistência e alojamento dos migrantes.