Mundial 2018

Fernando “El Jefe” Hierro: o central goleador que é o novo selecionador espanhol

Começou no Valladolid e esteve 14 anos no Real Madrid, onde marcou 127 golos: mesmo sendo central. Ganhou a alcunha de "El Jefe" e hoje é selecionador espanhol. A história de Fernando Hierro.

Aos 50 anos, Fernando Hierro é novo selecionador nacional espanhol

Getty Images

Autor
  • Mariana Fernandes

A 12 de fevereiro de 2003, Raúl González marcou o seu 30.º golo pela seleção espanhola e tornou-se no melhor marcador de sempre da La Roja. Para trás, ficava a marca de Fernando Hierro, antigo central e capitão da seleção espanhola, que, ao longo de 89 internacionalizações e seis fases finais de Campeonatos da Europa e do Mundo, marcou 29 golos. Hierro, o central goleador que assumiu a braçadeira de capitão da seleção depois do fim da carreira de Zubizarreta, é a partir desta quarta-feira o novo selecionador nacional espanhol.

Nasceu em Vélez-Málaga em 1968 e completou a formação no clube da cidade natal, o Vélez Club de Fútbol. Em 1986, com 18 anos, transferiu-se para o Valladolid a conselho do irmão mais velho: aliás, os dois irmãos de Hierro, Manolo e Antonio, foram ambos jogadores de futebol e jogaram juntos no Málaga.

Foi promovido à equipa principal um ano depois e estreou-se na Liga Espanhola frente ao Espanhol de Barcelona. Em 1989, depois de perder a final da Taça do Rei com o Real Madrid, Hierro era já disputado pelos dois clubes da capital espanhola. Chegou a ter um pré-acordo assinado com o Atlético de Madrid mas, assim que soube do interesse dos merengues, rasgou o entendimento com os colchoneros e transferiu-se para o Santiago Bernabéu a troco de 200 milhões de pesetas, algo como 1,2 milhões de euros.

Hierro celebra depois de marcar um golo à Sérvia, em jogo da fase de grupos do Campeonato do Mundo de 1998, em França

Começou o percurso no Real Madrid a jogar a médio centro e, por vezes, número 6 — assim como já acontecia, aliás, no Valladolid. A falta de centrais no plantel obrigou-o a recuar no relvado em diversas ocasiões e o treinador Jorge Valdano, na temporada 1994-95, firmou Hierro definitivamente no eixo da defesa merengue. Destacava-se pela posse segura da bola, pela qualidade do toque, pela eficácia nas bolas aéreas e o pouco habitual faro de golos: ao longo de 14 anos e 601 jogos ao serviço do Real Madrid, o central marcou 127 golos. Ganhou a alcunha de El Jefe pelo papel de liderança que tinha dentro e fora do balneário.

Capitão merengue desde o fim da carreira de Manolo Sanchís, em 2001, Fernando Hierro utilizou a braçadeira apenas durante dois anos. Nas últimas épocas no Santiago Bernabéu, foi criticado pelos erros defensivos e a falta de rapidez, sinais que indicavam que o tempo de Hierro em Madrid estava a chegar ao fim. Na mesma altura, anunciou que iria deixar a seleção espanhola depois de a capitanear durante o Mundial de 2002.

Saiu do Real Madrid em conjunto com Vicente del Bosque, no final da temporada 2002/03: ainda que centenas de adeptos se tenham juntado junto ao estádio para exigir à direção do clube que não prescindisse dos serviços de Hierro. Deixou o clube a que chamou casa durante mais de uma década e onde venceu cinco campeonatos espanhóis, uma Taça do Rei, cinco Supertaças espanholas, três Ligas dos Campeões e uma Supertaça Europeia.

Fernando Hierro – ladeado por Casillas, Raúl e Roberto Carlos, entre outros – levanta o troféu da Liga dos Campeões que o Real Madrid venceu ao Bayer Leverkusen, em Glasgow, em 2002.

Assinou pelo Al Rayyan do Qatar, onde esteve apenas durante uma temporada: com tempo ainda para vencer a Taça do Qatar. Regressou ao futebol europeu em 2004, pela mão dos ingleses do Bolton, clube que acabaria por ser o último da longa carreira de Hierro. Completou 29 jogos na Premier League e ajudou a garantir a presença do Bolton na Taça UEFA da época seguinte, um feito inédito na história do clube. No final do ano, a direção do clube inglês, o treinador Sam Allardyce e os adeptos queriam que Fernando Hierro ficasse. Mas o espanhol estava decidido: aquele tinha sido o último ano dentro das quatro linhas.

Depois do final da carreira, passou pela direção desportiva da Real Federação Espanhola de Futebol entre 2007 e 2011 e desempenhou o mesmo cargo no Málaga. Em julho de 2014, foi convidado para ser treinador adjunto de Carlo Ancelotti no Real Madrid, substituindo então Zinédine Zidane, que foi treinar a equipa B. No final de uma temporada particularmente desinspirada – os merengues perderam o campeonato para o Barcelona e caíram nas meias-finais da Champions com a Juventus -, Hierro deixou o comando técnico do clube em conjunto com o treinador italiano.

Em junho de 2016, foi anunciado como novo treinador do Club Oviedo. Não conseguiu levar a equipa além de um oitavo lugar na segunda liga espanhola e foi dispensado pela direção do clube. Cinco meses depois, foi convidado por Luis Rubiales, presidente da Real Federação Espanhola, para voltar a assumir o cargo de diretor desportivo da seleção. Aos 50 anos, dois dias antes do jogo com Portugal e depois da saída de Julen Lopetegui, El Jefe foi escolhido para ser o selecionador que vai orientar Espanha durante o Campeonato do Mundo da Rússia.

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