A 11 de agosto de 1987 uma criança foi encontrada sem vida na berma da estrada A10, em Blois, no centro de França. O caso provocou um grande impacto e levou a um grande esforço por parte das autoridades para saber quem era a criança e quem a assassinou. 30 anos depois, o crime foi resolvido e bastou uma amostra de ADN para encontrar os culpados: os pais da criança, de origem marroquina.

Segundo o El Pais, o caso conhecido como “O pequeno mártir da A10”, sempre foi um mistério, pois não havia pistas nenhumas para continuar a investigação. Os especialistas encontraram a criança enrolada num cobertor, com sinais de queimaduras, fraturas mal cicatrizadas e cicatrizes de mordidas humanas.

Na altura do desaparecimento, as autoridades francesas realizaram uma mega operação para tentar descobrir a identidade da vítima e algumas pistas sobre os responsáveis pela sua morte: 65.000 escolas visitadas, 6.000 médicos para tentar identificar a identidade da criança, cartazes enviados para mais de 30 países e fotografias colocadas em todos os espaços públicos do país.

No entanto, os resultados não chegaram e, passados 10 anos, a justiça encerrou o caso por falta de provas. Seis meses depois, o processo foi reaberto e a amostra de ADN retirada do cobertor da criança foi guardada no arquivo nacional. Este gesto foi a chave do mistério, depois de em 2016 um homem ter sido preso por um caso de violência. Como é que estes dois casos estão relacionados? O ADN do homem foi também colocado no arquivo nacional e a investigação concluiu que era o seu irmão.

A polícia seguiu o rasto e chegou aos pais da criança, encontrados em Aisne e Seine-Saint-Denis (norte de França). Os dois tinham origem marroquina e estavam separados desde 2010. Os seus filhos estavam registados, mas um deles — uma menina chamada Ynass, nascida em 1983 — nunca mais tinha voltado a casa.

Os pais foram presos na terça-feira e ouvidos esta quinta-feira por um juiz de instrução, que ordenou a prisão preventiva para os dois. Segundo o Le Parisien,  ambos contaram à polícia versões diferentes do que aconteceu: o pai, de 66 anos, disse viver “um inferno” com a sua esposa e que um dia tinha chegado a casa e encontrado o corpo da menina já sem vida, enviando de imediato toda a família para Marrocos e abandonando a menina à beira da estrada. Já a mãe, de 64 anos, sempre fez acreditar que a sua filha tinha desaparecido de repente e que vivia em Marrocos com a família.

Ambos foram acusados ​​de morte, ocultação de cadáver e violência contra um menor com idade inferior a 15 anos.