A atual comissão administrativa da Cruz Vermelha (CV) de Mogadouro, no distrito de Bragança, anunciou esta terça-feira que vai apresentar queixa no Ministério Público (MP) pelo alegado desvio de cerca de 14.800 euros dos cofres da instituição.

Foi detetado um desvio de uma verba que ronda os 14.880 euros e agora vamos apresentar queixa no Ministério Público”, disse à Lusa a presidente da comissão administrativa da delegação, Lélia Ribeiro, sem adiantar mais detalhes.

A anterior direção da delegação da CV em Mogadouro, que era encabeçada por José Lima, demitiu-se, sendo nomeada a atual comissão administrativa. Contactada pela Lusa, a vice-presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Irene Veloso, vincou que a passagem de poder “não foi feita da forma mais correta”.

“Quem tinha a obrigação de passar à comissão administrativa todo o trabalho da delegação, não o fez. Inclusive, todos os registos informáticos foram apagados do computador”, explicou a responsável. E acrescentou: “É lamentável o que se passou. Devo dizer que na minha vida profissional, que já é muito extensa, nunca vi nada a assim. Quem vai dirigir no próximo ano e meio a dois anos esta comissão administrativa, vai fazê-lo a partir do zero”.

Irene Veloso disse que quem trabalhava anteriormente na CV de Mogadouro não esteve presente quando a direção nacional chegou à sede da delegação para se inteirar da situação vivida.

Não havia listagens de doentes. Não havia listagem dos voluntários. Não havia contactos. Foram estas e outras circunstâncias que me fizeram ir a Mogadouro de forma rápida, para dar posse à comissão administrativa, e ver o que se estava a passar na delegação”, vincou Irene Veloso.

Estas comissões administrativas são nomeadas transitoriamente para preparar as condições necessárias para a realização de um ato eleitoral. “Para realizar este processo, é necessário algum tempo e decidiu-se nomear uma comissão de transição”, enfatizou.

Contactado pela agência Lusa, o anterior presidente, José Lima, disse que pediu a demissão por não concordar “com indisciplina de alguns elementos que fazem parte da atual comissão administrativa”. “Alertei a direção da CV para o que se estava a passar. Todos os elementos da coordenação de emergência se demitiram em bloco, por também não concordarem com referidos elementos”, disse.

José Lima disse ter ficado surpreendido com as imputações, porque todos meses eram enviadas as contas da delegação para direção nacional da CV, em Lisboa.

Em defesa da sua gestão, o ex-dirigente da CV de Mogadouro perguntou ainda qual é a delegação da CV que tem 29 mil depósitos na CGD, e quase 20 mil em crédito em diversas entidades, por serviços prestados. “Ainda recentemente esta delegação adquiriu uma viatura de transporte de doentes no valor de 28 mil euros, a pronto pagamento, e não deve um tostão a ninguém e não tem encargos com ninguém”, assegurou.

José Lima garante que “tudo não passa de difamação”, acrescentando que vai “pedir responsabilidades”. “Eu não tinha acesso às contas e nunca fui avisado pela CV do que estaria a passar”, observou. O ex-presidente destacou que esteve à frente da instituição durante 23 anos, a título voluntário, “sem auferir um cêntimo”.