No início de junho, a RTP noticiou a queda de uma das torres da Fortaleza de Juromenha, monumento localizado no município do Alandroal que remonta ao século IX. Porém, ao que parece, a derrocada terá acontecido há dois meses, causada pelas “fortes chuvadas”, adiantou ao Observador a Direção Regional de Cultura do Alentejo.

“A derrocada a que a peça jornalística se refere teve lugar há dois meses, no seguimento das fortes chuvadas”, disse a diretora do organismo regional de cultura, Ana Paula Amendoeira, acrescentando que a situação tem estado a ser acompanhada pela Câmara Municipal do Alandroal em “estreita articulação”com a Direção Regional de Cultura do Alentejo. De acordo com a diretora, a divulgação da notícia, “elaborada há cerca de dois meses”, por parte do canal de televisão, “deve-se apenas a razões editoriais que desconhecemos, mas não a critérios de atualidade jornalística tal como se faz crer na mensagem passada para a opinião pública”.

Ao Observador, Ana Paula Amendoeira explicou também que a torre não ruiu na totalidade, tendo ficado apenas à mostra “a taipa militar islâmica original”, que tinha sido “reforçada com pedra pelo exterior em princípio ainda no reinado de D. Dinis (1279-1325)”. Depois disso, a fortaleza — classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1957 — só voltou a ser alvo de uma nova intervenção no século XX. As obras, a cargo da antiga Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, arrancaram em 1950, prolongando-se até 1996. Foi durante esse período que “lhe foi adossado um muro exterior como reforço”, que entretanto caiu.

À procura de uma solução para a Fortaleza de Juromenha

A Direção Regional de Cultura do Alentejo “tem estado a trabalhar” com o presidente da Câmara do Alandroal “no sentido de se encontrar uma solução” para as ruínas da Fortaleza de Juromenha, que necessitam urgentemente de obras de conservação. O monumento é “propriedade do Estado Português, através da Direção Geral do Tesouro e Finanças do Ministério das Finanças, entidade que no entanto transferiu a posse do interior da fortaleza (prédio rústico, conhecido como ‘Castelo’) para a Câmara Municipal do Alandroal”, explicou ainda Ana Paula Amendoeira.

Um primeiro passo já foi dado. A Direção Regional de Cultura já contactou o Ministério da Cultura, a Secretaria de Estado do Turismo e a Direção Geral do Tesouro e Finanças para que o interior do monumento seja incluído no programa REVIVE, que tem em vista a recuperação e valorização do património cultural e histórico português. O problema é que esta inclusão diz apenas respeito a uma parte da forteleza, o que significa que será necessário fazer uma segunda cadidatura, a um segundo programa, para que as muralhas abaluartadas e a torre medieval sejam recuperadas.

Para que isso seja possível, a Direção Regional de Cultura do Alentejo e o município do Alandroal estão a trabalhar na elaboração de “um projeto de recuperação” para uma candidatura “ao próximo aviso do programa Alentejo 2020, entretanto em fase de reprogramação”. Segundo Ana Paula Amendoeira, está também “em preparação um protocolo” entre a direção regional e câmara municipal “no sentido de ser elaborada essa candidatura no mais curto espaço de tempo”.