General Motors

Ardeu-lhe o Tesla e a GM “ofereceu-lhe” um Bolt

Há quem não resista a um bom exercício de relações públicas. Sobretudo, se for barato. Uma actriz norte-americana viu arder o seu Tesla e eis que a General Motors se ofereceu para emprestar um Bolt.

Mary McCormack é uma actriz norte-americana que se tornou conhecida pelo seu papel na série televisiva West Wing, emitida entre 1999 e 2006. Porém, não é pelo seu papel de actriz que se tornou agora notícia, estando o motivo associado ao seu carro, um Tesla Model S. Aparentemente com o seu marido ao volante, e ela por perto, em plena avenida de Santa Mónica, em Los Angeles, o Model S da família começou a arder. O marido saiu do carro, felizmente sem mazelas, enquanto McCormack, de smartphone em punho, registou o momento.

A bola está agora do lado da National Transportation Safety Board (NTSB), que vai investigar este princípio de incêndio, tal como analisa os provocados por veículos com motor a gasolina ou gasóleo que, percentualmente, são superiores. A Tesla informou que está igualmente a verificar o sucedido, tanto mais que McCormack e o seu marido afirmam que não houve acidente nem nada de estranho antes de as labaredas destruírem o Model S. A actriz deu-se mesmo por satisfeita por as suas três filhas não viajarem no carro na altura.

Se bem que seja um problema grave, os carros tendem a pegar fogo em determinadas situações e, por vezes provocam até fatalidades, a somar aos prejuízos materiais. Basta ver o que acontece nos EUA, onde entre 2006 e 2010, houve 17 veículos incendiados por hora. Mais recentemente e considerando somente os casos registados pelas autoridades, exclusivamente nas auto-estradas, houve cerca de 200.000 casos por ano, que originaram cerca de 500 mortos e 1.500 feridos. E se pergunta qual o tipo de veículo que mais frequentemente se vê envolvido neste tipo de incêndios, a resposta é simples: carros com motor a gasolina, com os casos a sucederem-se (percentualmente) à razão de cinco carros a gasolina para um eléctrico.

Segundo a National Fire Protection Agency (NFPA), nos EUA acontece um incêndio em cada 32 milhões de quilómetros em carros com motor a combustão, enquanto a média dos Tesla (e os restantes carros 100% eléctricos) é de 161 milhões de quilómetros. Com a NFPA a chamar ainda à atenção para o facto de ainda não se terem registados mortes ou feridos em incêndios em carros eléctricos, não precedidos de acidentes, enquanto os motores a gasolina provocam cerca de 2.000/ano, um valor ainda assim mais reduzido do que os cerca de 3.000 dos anos 90.

É claro que os carros eléctricos também ardem, com a bateria a ser a parte problemática, uma vez que o lítio utilizado é um combustível em determinadas situações. Se algo se avariar no sistema de arrefecimento da bateria – naquelas que são refrigeradas, utilizadas pelos carros mais potentes, o que não acontece nos Zoe ou nos Leaf –, ou se houver uma fuga resultante de uma peça metálica projectada por um pneu (daquelas que também furam os depósitos de gasolina, com igual resultado), ou por uma forte pancada por baixo, é possível que se deflagre um princípio de incêndio na zona da bateria. Lento de início e daí que não provoque feridos, pois há tempo de sobra para abandonar o veículo. Aliás, sobre este tema, Elon Musk, o CEO da Tesla, tem uma pergunta que ficou célebre:

Quando quer pegar fogo a qualquer coisa, leva consigo um jerricã de gasolina ou uma bateria?”

A “graçola” da GM

O incêndio do Model S está sobre investigação e, caso o fabricante seja considerado responsável, vai ter de oferecer outro veículo novo e ainda compensar o casal, não por ela ser actriz, mas porque do lá de lá do Atlântico a lei é assim. Mas a General Motors (GM), o maior dos fabricantes de automóveis americanos, não quis esperar pelas conclusões da NTSB e resolveu criar uma acção de relações públicas. O porta-voz Ray Wert veio a público, através do Twitter, informar que a GM ofereceu à actriz um Chevrolet Bolt (idêntico ao Opel Ampera-E), para “ela ter um carro eléctrico mais confiável”. Mas nada de loucuras por parte da GM, com a Wert a esclarecer desde logo que o Bolt seria cedido a título de empréstimo.

A GM tem um problema para resolver, que se prende com facto de apesar de a Tesla estar ainda a lutar contra algumas dificuldades na produção do Model 3, já ter vendido muito mais do que a GM no primeiro trimestre do ano, com 8.180 unidades para o 3 e apenas 3.375 para o Bolt. Vantagem que não vai parar de aumentar com o incremento de produção do Model 3, tanto mais que este modelo é maior (4,69 m contra 4,16 m para o Bolt, ou seja, um BMW Série 3 contra um Renault Clio) e mais barato (com preços a partir de 35.000$ contra 37.500$para o Bolt). E daí que saltasse à primeira oportunidade de “brilhar” face aos problemas dos seus concorrentes.

Mas com a ânsia de facturar em cima dos desastres alheios, a GM pode ter aberto um flanco para ser, ela própria, atacada. Incêndios em carros dos diferentes marcas do grupo é coisa que não falta, pelo que nada vai impedir os seus clientes de reclamarem o mesmo tipo de tratamento, ou afastarem-se definitivamente da GM, caso se apercebam que os “miminhos” ficam apenas para as actrizes. E que nem são de primeiro plano. Uma rápida pesquisa no Google revela uma enormidade de veículos da GM que arderam e cujos condutores não tiveram direito a carro de substituição.

Pesquisa de carros novos

Filtre por marca, modelo, preço, potência e muitas outras caraterísticas, para encontrar o seu carro novo perfeito.

Pesquisa de carros novosExperimentar agora

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: alavrador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)