O presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), Jerome Powell, indicou esta quarta-feira em Sintra que os aumentos nas taxas de juro vão continuar a acontecer gradualmente, devido aos impactos que o baixo desemprego pode ter na inflação.

“Com o baixo desemprego, que se espera que continue a diminuir, a inflação perto do nosso objetivo [de 2%] e os riscos para as previsões balanceados, os argumentos para continuar os aumentos graduais das taxas de juro são fortes”, afirmou Jerome Powell, numa intervenção no Fórum do Banco Central Europeu (BCE), em Sintra.

O líder da Fed sugeriu que não é provável que a instituição acelere os aumentos das taxas, dados os receios de que a baixa taxa de desemprego – de 3,8%, o valor mais baixo dos últimos 18 anos – possa levar a uma aceleração da inflação. Jerome Powell juntou-se assim a Mario Draghi, que, na terça-feira passada, também em Sintra, já tinha afirmado que o Banco Central Europeu (BCE) “vai manter a paciência” para determinar o primeiro aumento das taxas de juro, dada a incerteza em torno do crescimento económico da zona euro.

“Vamos manter-nos pacientes na determinação do momento do primeiro aumento das taxas [de juro] e vamos adotar uma abordagem gradual para ajustar a política a partir daí”, afirmou o presidente do BCE. “A política monetária na zona euro vai continuar a ser paciente, persistente e prudente”, afirmou Mario Draghi, depois de apresentar alguma incerteza quanto à sustentabilidade do crescimento económico da zona euro.

Mario Draghi e Jerome Powell juntaram-se também na expectativa de normalização da política monetária. O encontro dos bancos centrais em Sintra decorreu poucos dias depois de o BCE ter anunciado que vai reduzir o programa de compra de ativos (principalmente dívida pública) para 15 mil milhões de euros mensais a partir de outubro, terminando as aquisições de dívida no fim do ano. Ao mesmo tempo, o BCE decidiu manter as taxas de juro diretoras nos níveis atuais, pelo menos até o verão de 2019.