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Dacia

14.900€. Ensaiámos o SUV mais barato do mercado

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Seis meses após estar à venda na Europa, o Duster chega a Portugal. Pusemo-lo à prova num buraco incrível e podemos afirmar que é barato, está mais giro e até vai onde muitos não chegam. E é Classe 1.

aqui lhe falámos do novo Dacia Duster, o modelo mais popular do fabricante romeno do Grupo Renault, que tivemos oportunidade de conduzir em Novembro, quando a marca o apresentou à imprensa internacional. As vendas na maioria dos países europeus começaram de imediato, mas não em Portugal, uma vez que por uma questão de estilo, associada à necessidade de uma maior distância entre o capot e a mecânica – para proteger os peões em caso de atropelamento –, o modelo superava 1,10 metros ao nível do eixo da frente, o que o promovia a Classe 2 nas auto-estradas. De caminho, limitando drasticamente o seu potencial de vendas.

Passados seis meses e com a produção do Duster já normalizada, eis que os técnicos da Dacia tiveram finalmente a oportunidade de analisar a situação e, a pedido do importador para Portugal, encontrar uma solução que lhe baixasse a frente, uma vez que a traseira não foi mexida. Os pratos das molas do sistema McPherson passaram a ser montados 20 mm mais abaixo, solução simples e que promove o SUV para Classe 1.

É claro que nem tudo foram rosas, pois houve que repetir os crash-tests de homologação, tanto em relação a outros veículos, como contra os peões, para que tudo estivesse legal. Os custos inerentes a tudo isto? Vão ser debitados ao importador nacional, que passou a adquirir o Duster por um valor mais elevado do que os restantes países.

Melhor em estrada

O novo Duster está disponível entre nós com duas e quatro rodas motrizes (esta última é sempre Classe 2) e com motores a gasolina e diesel, uma vez que a versão a GPL, o 1.6 SCe de 115 cv, só chegará no fim do ano. De início, apenas o 1.2 TCe a gasolina, com 125 cv, e o 1.5 dCi a gasóleo, com 110 cv.

Para abrir as hostilidades, optámos por um Duster a gasolina com apenas tracção à frente para ligar Lisboa a Vila Viçosa, com muita auto-estrada e igualmente muitos caminhos de cabras. O novo Duster recorre à mesma plataforma da geração anterior, mas nem parece o mesmo veículo.

Começa por ser mais encorpado e volumoso, o que cai bem junto dos tradicionais amantes desta classe de veículos, sempre à busca de um ar mais “durão”. Depois, o SUV romeno é muito mais atraente do que o modelo anterior, não partilhando com ele uma única peça da carroçaria e adoptando um sem-número de pormenores que o fazem parecer mais largo e alto. Igualmente agradável à vista são os embelezadores que funcionam como protecção do chassi, tanto à frente como atrás, bem como o elemento distintivo atrás do guarda-lamas da frente, a preto, a fazer lembrar os respiradores que alguns jipes “puros e duros” possuíam e que lhes permitiam atravessar cursos de água sem que o motor começasse a respirar o líquido, o que o condenava de imediato.

Em auto-estrada, sempre a 120 km/h não fosse o diabo tecê-las, o Duster TCe 125 surpreendeu-nos duplamente. Primeiro, porque o motor se despacha bastante bem, como prova o facto de anunciar 177 km/h de velocidade máxima e o 0-100 km/h em 10,4 segundos. Mas, especialmente, pelo silêncio a bordo, fruto da maior quantidade de material insonorizante aplicada para reduzir os ruídos da mecânica e de rolamento. Ao fim de uns quilómetros, descobrimos o terceiro motivo de interesse, com o consumo a estabilizar em torno dos 5,6 litros, um bom valor para o qual contribui o facto de o motor estar associado a uma caixa manual de seis velocidades.

A passagem da auto-estrada para as estradas secundárias na zona de Évora permitiu ao SUV passar a exibir outras características, confirmando que o conforto não foi beliscado face à anterior geração, pela suspensão mais baixa à frente, revelando o modelo um comportamento fácil e previsível, acompanhando com à vontade mesmo quando imprimimos um ritmo mais dinâmico. Para isso contribuem os bancos melhores e mais envolventes, agora com uma maior amplitude quando regulados em altura (6 em vez de 4 cm). O ar condicionado automático, outra novidade, aliado ao reforço do equipamento – cartão mãos-livres, câmaras 360º, detector de veículo no ângulo morto, airbags normais e de cortina –, contribui para a sensação mais agradável que se vive a bordo, isto apesar dos plásticos continuarem a ser rijos. Mas o preço reduzido tem destas limitações.

… e ainda melhor fora dela

Depois da estrada, veio o fora-de-estrada, com uma incursão pelo Alentejo profundo. Em estradões nem sempre com bom piso e a um ritmo que seria facilmente acusado de não ser o mais aconselhado para a ocasião, o Duster revelou-se um parceiro à altura. E é nestas condições que a qualidade de construção do Dacia sobressai – agora melhor, fruto dos reforços no chassi e carroçaria, o que colocou o peso nos 1.275 kg (1.392 no 4×4), ainda assim um valor interessante – pela ausência de ruídos parasitas ou até vindos das suspensões, quando levam uma pancada de uma pedra mais saída, acima do esforço para o qual o fabricante dimensionou o modelo.

O passeio por montes e vales tornou possível constatar que também as borrachas que vedam portas e janelas foram melhoradas, uma vez que o pó agora fica mesmo lá fora. O novo tablier e painéis de porta são mais agradáveis à vista e oferecem mais locais para alojar objectos – e até mesmo esconder alguns – com a mala lá atrás a disponibilizar 445 litros na versão 4×2 (e 411 na versão 4×4, devido à suspensão independente atrás).

A menor altura ao solo não apresentou qualquer limitação, com o Duster 4×4 a estar a 210 mm de altura, enquanto a 4×2 dista 182 mm, o que se fica a dever à necessidade de baixar a frente para menos de 1,10 metros. A zona frontal, incluindo o carter do motor, nunca bateu no chão e não nos pareceu que estivesse mais exposta do que a traseira, isto apesar de viajarmos com duas pessoas a bordo e, logo, sem peso na retaguarda.

Descida ao centro da Terra

OK, admitimos que “centro da Terra” é uma expressão algo excessiva, mas garantimos que uma vez na ponta da plataforma de vidro sobre a pedreira que se estende sobre o vazio, a 140 metros de altura, quase que estávamos capazes de jurar que conseguíamos avistar o núcleo do planeta. Ou, pelo menos, uma camada inferior. Brincadeiras à parte, o ensaio do Duster contemplou uma descida ao fundo de uma pedreira de mármore em que a bela Vila Viçosa é fértil. A vista lá de cima impressiona, mas a viagem até ao fundo é uma brincadeira de crianças, contando que a deslocação se faça nos veículos da empresa: umas escavadoras com lagartas ou uns imponentes Volvo articulados com seis rodas motrizes. Já de Duster, ou de qualquer outro veículo concebido para circular na estrada, a música era outra.

Para esta fase do percurso, havia um dress code com galochas incluídas – uma vez que, lá no fundo, a água misturada com pó de pedra origina uma papa com aderência zero – e passar aos Duster 4×4. A descida correu melhor do que o esperado, com a 1ª velocidade mais curta desta versão a ajudar a manter um ritmo que permitiu o controlo do veículo, o que passava por não bloquear rodas nem cair nos buracos demasiado depressa. Isto porque havia zonas em que a inclinação era brutal, precisamente aquelas em que a nova câmara frontal, colocada no pára-choques, permite ver o tipo de descida que se segue (através do ecrã no tablier), mesmo quando o carro está apontado para o céu.

Se a descida colocou o carro à prova, não se comparou ao que esperava o Duster na subida. É certo que o SUV conta com tracção às quatro rodas, tendo nós optado pelo moto de condução Lock (que garante sempre a distribuição da potência pelos dois eixos), mas foi ainda necessário desligar o controlo de tracção, pois a regulação de série que é útil em 99% dos locais, de nada serve na subida à superfície de uma pedreira como aquela. Com as pedras soltas de dimensões generosas, associadas à extrema inclinação, o Duster 4×4 safou-se com uma facilidade incrível, especialmente se tivermos em conta o tipo de veículo e o respectivo preço.

Em Portugal: quando e por quanto?

O novo Dacia Duster chega ao nosso país a 29 de Junho, com versões de duas e quatro rodas motrizes. Entre as primeiras, a motorização mais em conta é a TCe de 125 cv, que propõe o nível de equipamento Essential por 14.900€, com o Comfort a exigir mais 1.750€. Com sistema 4×2 mas a gasóleo, o Duster propõe o dCi de 110 cv, comercializado por 19.650€ na versão Comfort, e mais 1.750€ caso o condutor opte pela mais recheada versão Prestige.

Com quatro rodas motrizes apenas o dCi de 110 cv, cujos preços arrancam nos 22.150€ (Comfort), exigindo o desembolso de mais 1.750€ para ascender ao nível de equipamento superior, o Prestige.

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