“Western”

Este filme da alemã Valeska Grisebach põe um grupo de operários germânicos a construir uma central hidroeléctrica nos confins da Bulgária. Mas em vez de usar esta situação narrativa para filmar clichés fáceis, diabolizadores, generalizadores ou moralistas, a realizadora mostra-se mais interessada em descrever a forma como os visitantes e os locais se relacionam, confiam ou desconfiam uns dos outros, entram em fricção ou convivem, e como um dos alemães, o solitário, lacónico, melancólico e expedito Meinhard, um ex-legionário que combateu no Afeganistão e em África (personificado por Meinhard Neumann, um antigo feirante sem escola de representação mas com muita escola da vida) acaba por se tornar no elo de ligação entre os dois grupos. “Western” é, também, um filme sobre a Europa de hoje, mas está acima de tudo centrado na experiência muitas vezes tortuosa e complicada, do contacto e da comunicação humana. De notar que o elenco é praticamente todo amador.

“Columbus”

Entre as décadas de 40 e 60, e graças a um empresário e mecenas local, a cidade de Columbus, em Indiana, transformou-se num paraíso da arquitectura moderna nos EUA, contando com uma série de edifícios públicos, e algumas residências particulares, criados por arquitectos como Eero Saarinen ou I.M. Pei. É lá que o sul-coreano Kagonada situa “Columbus”, a sua primeira longa-metragem. Haley Lu Richardson interpreta Casey, uma rapariga que adora arquitectura mas não pode ir para a faculdade por ter de cuidar da mãe, uma toxicodependente em recuperação, e Jon Cho é Jin, um tradutor de livros cujo pai, um famoso arquitecto sul-coreano, está em coma no hospital de Columbus, onde ia dar uma conferência. Casey e Jin conhecem-se, falam das suas vidinhas e das relações (difíceis) com os seus progenitores, e passeiam pela cidade e pelos seus marcos arquitectónicos. “Columbus” é um filme “indie” agradável, mas com pouca substância dramática ou cinematográfica e personagens de papel vegetal.

“Ocean’s 8”

Depois do equivalente feminino de “Os Caça-Fantasmas” em 2016, eis agora a versão para senhoras dos “Ocean’s…”  realizados por Steven Soderbergh e liderados por George Clooney e Brad Pitt, que tiveram três manifestações no cinema, respectivamente em 2001 (“Ocean’s Eleven — Façam as Vossas Apostas”), 2004 (“Ocean’s 12”) e 2007 (“Ocean’s Thirteen”) e depois se finaram na bilheteira. Em “Ocean’s 8”, Sandra Bullock personifica Debbie Ocean, irmã do Danny Ocean de Clooney, que sai da cadeia e junta uma equipa de especialistas em várias áreas, todas mulheres, para concretizar um golpe à prova de bala:  conseguir que a Christie’s tire dos seus cofres uma jóia valiosíssima e antiga, e depois ir roubá-la durante a gala anual do Met, em Nova Iorque. Também com Cate Blanchett, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway ou Rihanna. Gary Ross realiza. “Ocean’s 8” foi escolhido pelo Observador como filme da semana, e pode ler a crítica aqui.