A Inglaterra goleou, sem qualquer surpresa, o Panamá. Harry Kane assinou um hat-trick e é agora o melhor marcador do Campeonato do Mundo, o central John Stones marcou duas vezes e Lingard carimbou um dos golos mais bonitos deste Mundial. A seleção inglesa, comandada por Gareth Southgate há 20 jogos, foi extraordinariamente eficaz: em sete remates à baliza de Penedo, concretizou seis. Mas nada disto importa. Ou melhor — nada disto importa tanto como o que aconteceu ao minuto 78.

Ao minuto 78, o recém entrado Ávila marcou um livre na esquerda do ataque do Panamá. E quem diz marcou, diz bombardeou a bola para a área inglesa e rezou uma oração. Oração essa que foi ouvida. Felipe Baloy, também ele recém entrado, aproveitou uma gigantesca falha defensiva da seleção inglesa e esticou-se todo até conseguir chegar à bola. Chegou, bateu Pickford, e reduziu os números no marcador para 6-1. Continua a ser uma enorme goleada? Sim. E isso importa? Nada. É que o golo de Baloy foi celebrado pelos panamianos como os sportinguistas celebraram o golo de Miguel Garcia ao AZ Alkmaar, em 2005, que valeu a ida do Sporting à final da Taça UEFA. O golo de Baloy foi celebrado como se valesse uma vitória. E Baloy, depois de marcar, chorou.

Baloy, ao centro, com a braçadeira de capitão, emocionou-se depois do golo e foi confortado pelos colegas

Foi o primeiro golo do Panamá em Campeonatos do Mundo. Felipe Baloy, o homem cujo nome ficará na história, tem 37 anos e joga atualmente no Municipal da Guatemala. É central, representa a seleção do Panamá desde 2001 e tem mais de 100 internacionalizações. Se alguém tinha de marcar este golo era ele.

A seleção do Panamá, que até tem algumas ligações a Portugal (Fidel Escobar jogou na equipa B do Sporting e Gabriel Gómez alinhou pelo Belenenses), estreou-se em fases finais de Campeonatos do Mundo na passada segunda-feira, frente à Bélgica. Perdeu, mas a emoção que os jogadores não conseguiram esconder ao ouvir o hino nacional, quando gritaram as palavras e deixaram as lágrimas cair, valeu bem mais do que qualquer vitória.

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Este domingo, com a Inglaterra, o Panamá alcançou o objetivo que tinha traçado para este Mundial: marcar um golo. E, talvez pela primeira ou segunda vez desde que o futebol existe, as duas claques celebraram lado a lado como se ambas tivessem ganho.