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A proposta conjunta que a Espanha apresentará com a França e a Alemanha para criar centros de desembarque de imigrantes em solo europeu “é um bom ponto de partida”. Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, que falava aos jornalistas antes do início da mini-cimeira sobre imigração que decorre este domingo em Bruxelas, disse também que pedirá ajuda aos seus parceiros europeus para controlar melhor os fluxos migratórios em Espanha. 

“Estamos prontos para uma resposta comum ao desafio global dos fluxos migratórios que chegam à Europa, especialmente no Mediterrâneo ocidental”, explicou. “É um ponto de partida, vamos ver o que surge no debate de hoje e nos debates de 28 e 29 de junho [data do próximo Conselho Europeu], mas o diálogo entre os governos espanhol e francês estão em boa harmonia, também nesta matéria “, disse o Sánchez.

O primeiro-ministro espanhol estreou-se este domingo entre os seus parceiros da União Europeia e fez algo que os seus antecessores nunca fizeram: falou em inglês fluente e dirigiu-se à opinião pública europeia. Na próxima semana, participará também no Conselho Europeu, que terá uma dimensão formal bastante maior do que o encontro deste domingo organizado por Jean Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia. No entanto, a imigração é neste momento um tema de discussão central na Europa e que divide os parceiros da UE.

Sánchez disse, desde logo, que não espera que deste encontro sai uma solução, mas não descartou que surjam novidades nos encontros de 28 e 29 de junho. “Esperemos encontrar então uma solução que satisfaça o conjunto dos países. Não será por nós que não vai acontecer”, argumentou. 

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Sempre em inglês, afirmou ainda que o seu Executivo quer ter uma atitude construtiva e para tal comprometeu-se a apresentar soluções e partilhar experiências. E colocou a tónica nos deveres morais da União Europeia.

“Apelaremos a uma atitude de integração, reivindicando os valores europeus: a solidariedade entre Estados, o respeito pelos direitos humanos  — não só nos tratados, mas também nas convenções internacionais assinadas pela UE e em todos os países— e a exigência de dar uma resposta europeia a este desafio global”, concluiu o chefe de Estado espanhol.

Ao contrário da expressão usada no sábado por Emmanuel Macron, presidente francês, Pedro Sánchez diz que prefere não falar de “centros fechados”, mas antes de “centros controlados” nos portos europeus onde serão processados os pedidos de asilo. “Vamos tentar não só a respeitar os direitos humanos dos migrantes que chegam à nossa costa, mas acima de tudo criar uma política de imigração responsável, controlada, e que tenha em conta toda a realidade da União Europeia.”

Uma cimeira cuja vitória será acontecer