O Banco Central brasileiro baixou as suas projeções de crescimento da economia de 2,6% para 1,6% no relatório trimestral da inflação divulgado esta quinta-feira.

O órgão destacou que a revisão está diretamente associada ao “arrefecimento da atividade no início do ano, a acomodação dos indicadores de confiança de empresas e consumidores e a perspetiva de impactos diretos e indiretos da paralisação no setor de transporte de cargas ocorrida no país no final de maio”.

A revisão das expectativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro indica uma mudança do Governo, que em 2017 anunciou que a recuperação económica do país seguiria forte após uma recessão de dois anos.

O Banco Central anunciou que o setor agropecuário deverá crescer 1,9% este ano, relativamente à estimativa de recuo de 0,3% em março. “A melhora na projeção se deve a resultado acima do esperado no primeiro trimestre e à sequência de elevações nos prognósticos para a produção agrícola anual”, lê-se no relatório.

Já a projeção sobre o crescimento da indústria foi revista de 3,1% para 1,6%.

O setor de comércio e de serviços deve ter uma expansão de 1,3% em 2018, face à estimativa de 2,4% divulgada em março, na projeção anterior do Banco Central, com reduções nas projeções para a maioria das atividades.

No que se refere ao mercado interno, as expectativas também apontam para uma redução.

O crescimento do consumo das famílias foi revisto de 3%, em março para 2,1%, em junho devido a uma recuperação mais lenta da massa salarial.

O consumo do Governo deverá recuar 0,2%, relativamente à projeção de crescimento de 0,5% em março.

No setor externo não houve grande variação das expectativas.

Segundo o relatório da inflação do Banco Central, as exportações e as importações de bens e serviços devem variar 5,2% e 6,4% em 2018, contras as projeções de 4,9% e 6,8%, respetivamente, no Relatório de Inflação de março.

“A ligeira elevação na projeção para as exportações reflete o desempenho melhor do que o esperado no primeiro trimestre e as revisões em prognósticos para safras agrícolas de produtos importantes da pauta de exportação”, concluiu o Banco Central.