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Violência

BE quer intervenção do Governo no caso da agressão a jovem no Porto

Bloco de Esquerda apresentou requerimento no Parlamento a exigir respostas e intervenção ao Ministério da Administração Interna sobre caso da jovem colombiana agredida no Porto.

NUNO VEIGA/LUSA

O caso da agressão de uma jovem colombiana por parte de um segurança da STCP no Porto já passou para a esfera política. O Bloco de Esquerda apresentou esta tarde no Parlamento um requerimento onde exige respostas ao Governo, nomeadamente sobre a atuação da PSP e sobre o que o Governo tenciona fazer em relação à empresa de segurança a que pertence o agressor.

“Pode o Ministério da Administração Interna garantir que os agentes da PSP que se deslocaram ao local tudo fizeram para garantir que este crime é investigado sem que nenhuma prova se tenha perdido entretanto?”, questiona o Bloco de Esquerda no requerimento que deu entrada esta quinta-feira à tarde, onde também pergunta “que medidas pretende o Ministério tomar ou exigir quanto à empresa 2045 que garante a segurança da STCP”. “Pondera o Ministério retirar a licença a esta empresa?”, questionam.

Em causa está o episódio de violência e racismo que terá ocorrido na madrugada de domingo, no Porto, quando Nicol Quinayas, uma jovem colombiana, entrava num autocarro. A jovem afirma ter sido violentamente agredida e insultada por um elemento da empresa de segurança da 2045, que lhe terá gritado comentários racistas enquanto a imobilizava e agredia. O segurança da empresa que faz a fiscalização dos autocarros da STCP é visto num vídeo que está a circular na Internet com os joelhos em cima do corpo da jovem, a imobilizar-lhe o braço, com sangue à volta, no chão.

Segundo o jornal Público desta quinta-feira, os agentes da PSP do Porto que se deslocaram à paragem de autocarros do Bolhão, onde a jovem Nicol Quinayas estaria a ser agredida, só fizeram a participação da ocorrência três dias depois, dia 27. Havendo informação contraditória, o Bloco de Esquerda afirma que quer respostas.

“Tal situação, além de inadmissível por consubstanciar uma clara manifestação de recurso
desnecessário e desproporcional da força por parte de um segurança privado, reveste ainda uma enorme gravidade pelo facto de serem agressões racistas e xenófobas”, diz aquele grupo parlamentar no requerimento apresentado.

Também o líder parlamentar do PS, Carlos César, condenou esta quinta-feira as agressões a Nicol Quinayas e desafiou o Governo a agir no sentido de apertar a malha à atuação das empresas de segurança privadas. “O PS não está disponível para contemporizar com estas situações e para avaliá-las como simples episódios triviais, ou como desavenças na via pública”, começou por dizer no final de uma reunião da bancada socialista, antes de desafiar o Governo a concluir uma proposta de lei para “disciplinar melhor a atividade da segurança privada”.

“Entendemos que é importante que na sociedade portuguesa não se escondam acontecimentos como estes, que não sejam mascarados ou trivializados, sendo, antes, devidamente valorizados. É importante que na sociedade portuguesa se aprofunde o debate sobre o racismo”, disse ainda Carlos César.

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