Rádio Observador

Nigéria

Violência na Nigéria coloca Presidente sob pressão para a controlar ou para se demitir

A pressão sobre o Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, está a intensificar-se com vários apelos para que restabeleça a ordem ou se demita, depois da morte de mais de 200 pessoas no fim de semana.

Olivier Douliery / POOL/EPA

Autor
  • Agência Lusa
Mais sobre

A pressão sobre o Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, está a intensificar-se com vários apelos para que restabeleça a ordem ou se demita, depois da morte, durante o passado fim de semana, de mais de 200 pessoas.

Buhari foi eleito em 2015 com base na promessa de lutar conta a insegurança, em particular contra os milicianos do Boko Haram, cuja insurreição provocou mais de 20 mil mortos e cerca de 2,3 milhões de deslocados desde 2009 no nordeste do país.

A ameaça do Boko Haram, que continua a realizar ataques no nordeste do país, tem sido citada como causa das tensões crescentes. Mas os pastores, onde predominam os muçulmanos, perante os efeitos das alterações climáticas, são forçados a procurar pasto para os animais cada vez mais a sul, o que os conduz para áreas mais povoadas e agrícolas, o que motiva disputas pela terra e água.

Os confrontos entre pastores e agricultores, de maioria cristã, em resultado desta disputa por recursos, são um problema crescente no mais populoso país africano, que, em termos religiosos, está dividido, em partes quase iguais, entre muçulmanos no norte e cristãos no sul. Alguns registos apontam mesmo para o facto de estes confrontos provocarem mais vítimas do que a rebelião do Boko Haram.

A segurança é uma das principais questões com que se confronta Buhari, um muçulmano, antigo general e natural do norte do país, que ganhou o cargo numa transferência democrática de poder em 2015, quando se aproximam as eleições presidenciais de fevereiro de 2019.

Os pastores Peuls, uma etnia de fé muçulmana, são acusados da morte de cerca de mil pessoas desde o início de 2018, segundo uma organização norte-americana especializada em conflitos armados, chamada Armed Conflict Location and Event Data Project.

Ataques e represálias da autoria das milícias dos dois lados fizeram mais de 2.500 mortos em 2016, segundo um relatório recente do International Crisis Group, o que torna este conflito no mais mortífero do país, à frente do protagonizado pela Boko Haram. Os últimos confrontos começaram quando 100 cabeças de gado foram roubadas e alguns pastores foram assassinados, afirmou o gabinete de Buhari na segunda-feira.

O presidente garantiu na terça-feira que “a sua administração tinha tido sucessos notáveis no setor da segurança”. Mas tem de se constatar que o país, com 180 milhões de habitantes, confronta-se com numerosos conflitos e que a segurança deteriorou-se nos últimos três anos.

Em discurso divulgado esta quinta-feira, e dirigido ao presidente, o governador do Estado do Planalto, Simon Lalong, lamentou “a perda dolorosa de mais de 200 pessoas”, mortas por membros presumidos da etnia peul, bem mais do que os 86 inicialmente avançados pelas forças da polícia local. Estes ataques foram atribuídos a represálias pela morte de cinco Peuls, mortos por jovens da etnia Berom, que são agricultores cristãos.

Buhari rejeitou como “injustas” as acusações de não agir face à crise, que cristaliza todas as tensões do país, porque estava a apoiar os peuls e os muçulmanos, e mobilizou para a região militares e forças de segurança suplementares. “Estas matanças foram longe demais”, considerou hoje o jornal local Business Day, apelando ao chefe de Estado para que se demita: “Se o presidente não pode garantir a segurança dos seus cidadãos (…), deve abandonar as suas funções”, escreveu o quotidiano. “Nesta situação, ele (Buhari) nem deve abordar o tema da sua reeleição”, acentuou.

Em junho, os parlamentares ameaçaram destituir Buhari. As eleições legislativas e presidencial aproximam-se e muitos inquietam-se com a manipulação de grupos criminosos para fins políticos, bem como com os contornos étnicos e religiosos que o conflito está a assumir, cuja principal questão é a do acesso às terras férteis.

O rápido crescimento demográfico do país agravou a situação.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)